Apresentação

 

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TEMÁTICA | OBJETIVOSANTECEDENTES

TEMÁTICA

O programa de doutoramento Patrimónios de Influência Portuguesa (DPIP) funciona numa base interdisciplinar. A abordagem usada apresenta uma conjugação de olhares entre a Arquitetura, o Urbanismo, os Estudos Culturais, os Estudos Literários, a História, a Antropologia e a Sociologia. Os estudantes ficarão doutorados em Estudos Culturais ou Arquitetura e Urbanismo, dependendo da abordagem que imprimirem à sua dissertação. O DPIP teve início em 2010 e foi reacreditado pela Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES) em 2016 por 3 anos, estando em curso novo processo de reacreditação. O DPIP é oferecido bienalmente.

Graças aos acordos estabelecidos no processo de internacionalização iniciado em 2013 com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian, os estudantes podem realizar o seu percurso em regime de cotutela, através de acordos de cotitulação que permitem obter o grau na Universidade de Coimbra (UC) e, simultaneamente, de uma ou duas outras universidades da rede que integra a Universidade do Algarve, a Universidade de Bolonha, a Universidade Paris Nanterre, a Universidade Federal Fluminense (Rio de Janeiro) e a Universidade Eduardo Mondlane (Maputo). A recente constituição da Cátedra UNESCO em Diálogo Intercultural em Patrimónios de Influência Portuguesa permitiu agregar novos parceiros, como a Fundação Calouste Gulbenkian, o Camões - Instituto da Cooperação e da Língua, I.P., a Universidade Lúrio (Nampula) e o MEIA - Instituto Universitário de Arte, Tecnologia e Cultura (Mindelo).

Os fundamentos analíticos e metodológicos propostos pelo DPIP, bem como a sua abordagem pós-colonial e de promoção de diálogos norte-sul, coloca este programa de doutoramento num patamar de excelência de reflexão, investigação e produção científica singular. Baseado na mobilidade docente e discente, o DPIP pretende fomentar a constituição de massa crítica na área de Patrimónios de Influência Portuguesa, olhando para património enquanto conceito cultural e político e proporcionando uma formação compreensiva capaz de produzir consultores especializados nas suas diversas áreas.

De momento, os estudantes do DPIP desenvolvem o seu trabalho em missões de investigação em Angola, Brasil, Cabo Verde, Macau, Malásia, Marrocos, Moçambique, Japão, Índia, São Tomé e Príncipe, Sri Lanka e Timor, assim como junto das comunidades falantes de português nos territórios tradicionalmente designados de emigração.

OBJETIVOS

Para além de objetivos gerais de formação avançada nos métodos de investigação e produção de conhecimento, espera-se que os estudantes desenvolvam capacidades de trabalho em grupo e em rede, criando, assim, um efeito multiplicador deste âmbito de estudos.

Deverão ficar dotados de quadros culturais muito alargados sobre a temática central do programa, bem como sobre as múltiplas geografias e respetivos recursos humanos e naturais que compõem esses universos culturais. O mesmo deve suceder com as narrativas que os interpelam. Para isto é fundamental que desenvolvam uma sólida formação teórica sobre as temáticas da memória e da representação. É também crucial que fiquem capacitados para o desenvolvimento de ações de cooperação nos vários domínios e territórios dos PIP.

Os doutorandos devem ter formações de base e curriculæ diversificados nas suas áreas científicas e geográficas de origem. Daí decorre, também, a importância da internacionalização do DPIP, com vista a construir uma rede internacional de formação, investigação e ação científica na área de Patrimónios.

ANTECEDENTES

O DPIP surgiu e tem-se desenvolvido no diálogo interdisciplinar entre vários investigadores do Centro de Estudos Sociais (CES), ligando as linhas de investigação de dois dos seus núcleos de investigação: o Núcleo de Humanidades, Migrações e Estudos para a Paz e o Núcleo de Estudos sobre Cidades, Culturas e Arquitetura, a que se juntaram académicos de outras instituições portuguesas e estrangeiras de diversas áreas disciplinares. Ressalte-se nesse diálogo:

a) O anterior trabalho de António Sousa Ribeiro e Margarida Calafate Ribeiro no âmbito do programa de doutoramento Pós-colonialismos e Cidadania Global, bem como os trabalhos de António Sousa Ribeiro sobre conceitos basilares do DPIP, como memória, identidade, testemunho, herança e pós-colonialismo, entre outros; e de Margarida Calafate Ribeiro, as reflexões sobre Portugal e o seu império, sintetizadas no livro Uma História de Regressos: império, guerra colonial e pós-colonialismo, assim como noutras publicações.

b) O trabalho de longo curso de Paulo Varela Gomes e Walter Rossa sobre a história da arquitetura e do urbanismo de influência portuguesa no Mundo, com especial foco na Ásia. Este teve como primeiro grande ensaio a montagem do curso de mestrado em Arquitetura, Território e Memória do Departamento de Arquitetura da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra. Mais recentemente originou parte considerável da coordenação e redação da obra Património de Origem Portuguesa no Mundo: arquitetura e urbanismo, dirigida por José Mattoso e produzida pela Fundação Calouste Gulbenkian. Mais tarde, esta obra alimentou o website interativo Heritage of Portuguese Influence / Património de Influência Portuguesa (hpip.org).

c) O trabalho de Miguel Bandeira Jerónimo em torno da história do dito “terceiro império português”, desde o século XIX até ao período das descolonizações – abarcando investigações centradas no problema do trabalho, nas interseções entre internacionalismo e imperialismo, no tema do desenvolvimento ou na questão dos legados coloniais. Estas investigações têm resultado em inúmeras publicações de autoria singular ou coletiva.

A criação do curso decorreu ao longo de 2009, primeiro com a aprovação das várias instâncias da UC, seguindo-se a acreditação pela Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior em março de 2010 (Processo n.º NCE/09/01387). A primeira edição do curso teve início em 2010, a segunda em 2012, a terceira em 2015, a quarta em 2017 e a quinta ocorrerá em 2019.

Para a segunda edição, foi celebrado um protocolo de colaboração com a Universidade do Algarve, através da sua Cátedra Odebrecht/Capistrano de Abreu, tendo já em vista o início do processo de internacionalização. Em 2013, o DPIP venceu o Concurso 2013 do Programa Gulbenkian Qualificação das Novas Gerações / Projetos Inovadores no Domínio Educativo da Fundação Calouste Gulbenkian. O prémio representou um financiamento para a construção da internacionalização do DPIP, apoiando os encontros institucionais do consórcio e a mobilidade de docentes e discentes. Estes beneficiaram de bolsas de curta duração para o desenvolvimento dos seus projetos de investigação em contextos internacionais. Com isso, à terceira edição do curso, associaram-se, em regime de cotutela, as universidades do Algarve, Bolonha, Paris Nanterre, Federal Fluminense (Rio de Janeiro) e Eduardo Mondlane (Maputo).
Em junho de 2018 foi aprovada a proposta de criação da Cátedra UNESCO em Diálogo Intercultural em Patrimónios de Influência Portuguesa (Patrimónios). Patrimónios tem como matriz o DPIP, cuja rede de parcerias institucionais se mantém, agora ampliada com novos membros. A Patrimónios desenvolverá a vertente de projetos de cooperação internacional, em que o DPIP gradualmente se tem vindo a afirmar, oferecendo oportunidades aos seus doutorados para exercerem as competências adquiridas no programa de doutoramento.

"O programa doutoral do CES atende perfeitamente às minhas expectativas, considerando a formação avançada, a análise profunda dos conhecimentos adquiridos e a premissa de integrar projetos de investigação, fatores relevantes para internacionalização do meu processo profissional e académico."

Marcelle Oliveira Dutra Neder, em tese (Brasil)

"Cheguei ao CES com objetivos e focos muito limitados. Contudo, acabei por me deparar com um universo mais amplo, multicultural e interdisciplinar. O programa é extremamente favorável para uma formação acadêmica rica e completa, com professores de excelência, com quem tenho o privilégio de trabalhar."

Marcela Santana, em tese (Brasil)