Projeto de Tese de Doutoramento

A Revolução Assexual: discutindo os direitos humanos pela lente da assexualidade em Portugal.

Orientação: Ana Cristina Santos e Maria Gabriela Moita

Programa de Doutoramento: Human Rights in Contemporary Societies

O presente estudo parte de uma abordagem teórica queer e feminista para discutir as intersecções entre a assexualidade e os direitos sexuais. Pretende-se compreender como os discursos e as práticas portuguesxs sobre assexualidade - produzidos pelos media, prestadores de cuidados de saúde e pessoas que se identificam como assexuais - estão a ser construídos, negociados e desafiados atualmente em Portugal e o que podem ensinar sobre direitos sexuais e reprodutivos.

Esta pesquisa reivindica também a importância da existência de pessoas assexuais nas comunidades LGBTQI+ e que as suas vozes sejam consideradas sempre que novas políticas sociais relevantes sejam introduzidas ou discutidas, ou para que as existentes sejam repensadas.

O título tem uma dupla ambição: 1) "A Revolução Assexual" mostra como a assexualidade pode produzir conhecimento que desafia os códigos tradicionais de comportamentos relacionados com a sexualidade e as relações interpessoais; 2) o subtítulo - "Discutir os direitos sexuais através da lente da assexualidade" - destaca que tal se faz através da sua contribuição para repensar a cidadania íntima e os direitos sexuais.

Os dados foram recolhidos ao longo de 24 meses em Portugal e incluem notas de campo e anotações sobre observação participante de eventos relacionados com assexualidade, cobertura mediática de 2000 a 2017, registo de um focus group com profissionais de saúde e entrevistas semi-estruturadas com pessoas que se auto identificam como assexuais (abril a novembro de 2016). Este estudo interdisciplinar e multimétodo utiliza uma perspectiva descritiva, analítica e crítica para identificar espaços de mudança e de contestação de discursos normativos que estão a surgir através da ação coletiva de pessoas assexuais.

A pesquisa revelou que os resultados positivos em relação ao conhecimento sobre o tema em Portugal ao longo da última década foram principalmente possibilitados por espaços onde pessoas que se identificam como assexuais puderam partilhar as suas experiências vividas. As plataformas digitais, juntamente com o ativismo assexual e a participação nos media, contribuíram para criar diferença na vida de assexuais e na percepção geral sobre a assexualidade.

A presente pesquisa e tese foram integralmente apoiadas pela Fundação para a Ciência e Tecnologia no âmbito de uma bolsa de doutoramento (SFRH/BD/52281/2013) do programa POPH.