A Economia Solidária como proposta e seu estatuto em Portugal

Embora o conceito de Economia Solidária já tenha consolidado certa trajetória na Europa, especialmente nos países francófonos, o termo se mantém pouco utilizado em Portugal, constituindo-se como tema de investigação relativamente recente em universidades e centros de investigação. Contudo, a relação intrínseca com a temática da Economia Social – coincidindo com ela em certos pontos e se distanciando de forma bastante evidente em outros – torna a Economia Solidária um campo de estudos ao mesmo tempo estranho e familiar. Tendo em comum o cooperativismo e certas experiências de crédito associativo, a Economia Solidária se particulariza por enfatizar as iniciativas económicas coletivas (formais ou não), pautadas pela autogestão, pelo trabalho associado e pela solidariedade – entendida aqui não como relação desigual de ajuda, mas como redistribuição equitativa de oportunidades, bens e resultados.

Ainda bastante tímida em relação as suas potencialidades, a Economia Solidária em Portugal revela condições propícias para se desenvolver como prática social e económica de grande relevância. Ao mesmo tempo em que o termo começa a ganhar mais evidência no cenário português, sobretudo diante da busca de alternativas para lidar com a crise económica na Europa, muitas experiências comunitárias e informais, com uma racionalidade totalmente diversa, saem da profunda invisibilidade a que foram submetidas, frente ao predomínio do modelo capitalista de produção e consumo.