Seminário

Tecnologia social, educação e ação política: reflexões a partir de experiências do Brasil e Timor-Leste

Henrique T. Novaes

Irlan von Linsingen

14 de julho de 2015, 15h00

Sala 2, CES-Coimbra

Resumo

Ao longo da história vimos presenciando o avanço das tecnologias numa perspetiva desenvolvimentista para o crescimento econômico, contribuindo para a primazia do capital sobre o trabalho e, assim, sustentando a lógica do sistema capitalista. No entanto, a expansão deste processo não se faz sem que haja resistências sociais, políticas e econômicas. Existe um conjunto de ativistas e intelectuais ligados aos movimentos sociais que vem resinificando o conceito e a ação em torno das tecnologias tendo em vista outra lógica de desenvolvimento. Deste processo surgiram as Tecnologias Sociais que compreendem produtos e metodologias reaplicáveis desenvolvidas em diálogo e interação com os sujeitos coletivos, as comunidades visando propostas inovadoras para a transformação social. Neste sentido, as tecnologias sociais consistem num processo que alia saber popular, organização social e conhecimento técnico-científico.
Os desafios estão em pensar e implementar estratégias de desenvolvimento a partir da construção de novas práticas econômicas bem como na elaboração de um referencial teórico metodológico próprio para atender as demandas do movimentos e grupos sociais, pois as práticas que predominam são carregadas do conteúdo tecnicista relacionado ao exercício das organizações de base capitalista.
A dinâmica das tecnologias sociais é inerente aos processos de educação e ação política não se restringindo apenas ao domínio de técnicas e habilidades para a produção, mas compreendendo um processo pedagógico social e político que produza tecnologias (sociais) apropriadas à realidade das comunidades - a exemplo dos povos tradicionais que reivindicam o direito ao plantio conforme as suas tradições e a criação de bancos de sementes que resguardem a diversidade das espécies visando a segurança alimentar e nutricional de suas famílias e da sociedade como um todo.
Para refletir sobre as Tecnologias Sociais como contributo para legitimar outras formas de produzir e viver teremos a cooperação de Henrique Novas e Irlan von Linsingen que nos falam a partir de experiências do Brasil e Timor-Leste.


Notas biográficas

Henrique T. Novaes - Doutorado em Política Científica e Tecnologia pela UNICAMP. Docente da Faculdade de Filosofia e Ciências – UNESP – Marília. Professor do Programa de Pós Graduação em Educação. Autor do livro: O fetiche da tecnologia - a experiência das fábricas recuperadas - (Editora Expressão Popular/Fapesp, 2007. E 2010, 2a Edição), traduzido e publicado na argentina pela Editora Continente/Peña Lillo em 2015. Autor do Livro: Reatando um fio interrompido- a relação universidade movimentos sociais na América Latina (Editora Expressão Popular/Fapesp, 201), traduzido e publicado na argentina pela Editora Continente/Peña Lillo em 2015. Coordena o curso “técnico” em agroecologia para jovens assentados dos movimentos sociais do Estado de São Paulo.

Irlan von Linsingen - Graduado em Engenharia Mecânica, com mestrado em Ciências Térmicas (EMC/PPGEM/UFSC) e Doutorado (2002) em Educação em Ciências - UFSC. É professor Associado da Universidade Federal de Santa Catarina. Atua no Departamento de Engenharia Mecânica do CTC (teoria do conhecimento para engenharia e sistemas hidráulicos e pneumáticos) e no Programa de Pós-Graduação em Educação Científica e Tecnológica – PPGECT (mestrado e doutorado), nas linhas de pesquisa Implicações Sociais da Ciência e da Tecnologia na Educação e Linguagens e Ensino, com os seguintes temas: Ciência-Tecnologia-Sociedade, educação tecnológica, educação CTS, aspectos da linguagem na educação científica e tecnológica, articulações entre Estudos CTS, Educação CTS e Tecnologias Sociais latino-americanos. É membro dos Conselhos consultivos da Associação Latino Americana de Estudos Sociais da Ciência e da Tecnologia (ESOCITE) e da Associação Brasileira de Estudos Sociais das Ciências e das Tecnologias (ESOCITE.BR). É líder do Grupo e Pesquisa Discursos da Ciência e da Tecnologia na Educação - DICITE. Participa da Coordenação Acadêmica do Programa de Qualificação de Docentes e Língua Portuguesa - PQLP no âmbito do Acordo de Cooperação Educacional entre Brasil e Timor-Leste. Atuou como Diretor Acadêmico para implantação do campus da Universidade Federal de Santa Catarina no Médio Vale do Itajaí. Atualmente realiza pós-doutoramento (estágio sênior) financiado pela CAPES no Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra.


Atividade no âmbito do Grupo de Estudos sobre Economia Solidária (ECOSOL) do Núcleo de Estudos sobre Políticas Sociais, Trabalho e Desigualdades (POSTRADE)