gender workshop series | Sessão especial

Apresentação do livro «Saberes e Fazeres em Movimento: Cocadas, Difusão do Conhecimento e Confluências Afrodiaspóricas» | Org. Suely Aldir Messeder e Lícia Maria de Carvalho

7 de maio de 2026, 17h00

Sala 2, CES | Alta

Apresentação do livro por Suely Messeder (Autora/UNEB) e Catarina Caldeira Martins (CES/FLUC)


Sobre o livro

O livro Saberes e Fazeres em Movimento: Cocadas, Difusão do Conhecimento e Confluências Afrodiaspóricas, organizado por Suely Aldir Messeder e Lícia Maria de Carvalho, dedicado às mulheres cocadeiras, estrutura-se como um percurso em que cada capítulo afirma as mulheres como sujeitas do conhecimento e reconhece estudantes e jovens das comunidades como pesquisadoras e pesquisadores locais.

Na abertura, explicita-se um gesto decisivo. Adriana Marmori, na condição de reitora (UNEB) — representante da hierarquia do saber acadêmico — aparece lado a lado com D. Maria, mulher do território que ensina pela prática e pela atenção. Ao colocá-las sem hierarquia, o livro produz uma ruptura: não se trata de aproximar saberes distintos, mas de afirmar sua equivalência epistêmica. É nessa quebra que se inscreve o fundamento da obra.

Nos capítulos sobre Monte Gordo, as estudantes — Nicole, Suene, Ana Vitória, Sara, Natalícia — e os jovens Caio, Lucas e Gildevan assumem centralidade. Eles não operam como mediadores neutros, mas como pesquisadoras e pesquisadores locais, implicados. As mulheres cocadeiras, sobretudo as mais velhas, emergem como matrizes de conhecimento. Há, aqui, uma dupla inflexão: as mulheres deixam de ser objeto e tornam-se autoras; e as estudantes deixam de ser aprendizes passivas para constituírem-se como produtoras de leitura e escrita do território.

No diálogo com os Programa de Pós-Graduação em Difusão do Conhecimento e o Pós-Crítica , o livro densifica seu campo teórico. A difusão do conhecimento é tratada como prática situada, atravessada por relações de poder, mas também por possibilidades de deslocamento. As mulheres aparecem como agentes epistêmicas que tensionam os critérios de validação do saber acadêmico, ampliando suas fronteiras.

O capítulo que atravessa Moçambique, com Sandra e Nelson, amplia a escala sem perder o princípio. As fazedoras locais são reconhecidas como intelectuais de suas práticas, em confluência com as cocadeiras baianas. Jovens pesquisadores locais atuam como pontes, não para traduzir de forma hierárquica, mas para sustentar a circulação horizontal de saberes. A afrodiáspora aparece, assim, como campo de equivalência e não de subordinação.


Notas biográficas

Suely Aldir Messeder | Possui graduação em Ciências Sociais pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), mestrado pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da UFBA e doutorado em Antropologia pela Universidade de Santiago de Compostela, validado no Brasil pelo Programa de Pós-Graduação em Antropologia da UFBA. É professora titular da Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Foi gerente de Ações Afirmativas da UNEB, coordenadora do Doutorado Multi-institucional e Multidisciplinar em Difusão do Conhecimento e professora permanente do Programa de Pós-Graduação em Crítica Cultural do Campus II Alagoinhas. Atualmente, é coordenadora da Agência Uneb de Inovação. Integra a Comissão Editorial de Periódicos Científicos da Associação Brasileira de Antropologia (ABA). É coordenadora do Grupo de Pesquisa Enlace e foi primeira secretária da Associação Brasileira de Estudos da Homocultura (ABEH) na gestão 2010-2012. Também atuou como gestora do Termo de Cooperação Técnica entre o Ministério Público e a Universidade do Estado da Bahia.Atualmente, é membro da Câmara Básica de Assessoramento e Avaliação Técnica da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (FAPESB). Seus interesses em ensino, pesquisa e extensão abrangem as áreas de relações de gênero e raça, gestão e difusão do conhecimento, empreendedorismo social, tecnologia social e letramento. Desenvolveu o Museu Digital Saberes e Fazeres na Bahia e o jogo digital narrativo Cocada de Dona Maria.

Catarina Caldeira Martins é Professora Associada com Agregação do Departamento de Línguas, Literaturas e Culturas da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e Investigadora do Centro de Estudos Sociais. Foi leitora, durante vários anos, na Universidade Cheikh Anta Diop de Dakar. É Doutorada em Literatura Alemã pela Universidade de Coimbra (2008) e tem título de Agregada em Estudos Culturais e Literários, com foco em estudos feministas e decoloniais. Tem publicado sobre temas de estudos feministas e pós-coloniais, literatura comparada, literatura de expressão alemã e literaturas africanas, em particular de mulheres. De entre as suas actuais áreas de investigação destacam-se os estudos decoloniais e os estudos feministas, associados a temas e problemáticas das literaturas e culturas. É docente nos programas de Doutoramento em Estudos Feministas, Discursos: História, Cultura e Sociedade, e Estudos de Literatura e Cultura. É Diretora da Coleção CES.


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