Seminário + Apresentação de livro
O colonialismo verde e as lutas pela justiça energética e climática: Diálogo de contextos
28 de abril de 2026, 18h00
Liquidâmbar (Coimbra)
A crise climática já é visível na região árabe, com secas, incêndios, ondas de calor e enchentes. Face a esta crise propõem-se iniciativas de transição “verde”, porém, muitas vezes, estas iniciativas reproduzem relações de poder e dinámicas extrativistas existentes, aprofundando danos e injustiças socio-ambientais. Uma verdadeira transição que seja social e ecologicamente justa exige uma rutura com os “negócios de sempre”, que protegem as corporações e os regimes autoritários, e exige a adoção de um processo radical de transformação, que reconheça não apenas a responsabilidade histórica do Ocidente industrializado frente ao aquecimento global, mas também do papel dos países emergentes na perpetuação dessa ordem económica destrutiva.
Neste seminário, iremos refletir sobre estes assuntos num diálogo de contextos da região árabe e da mediterránica, entre o autor/editor do livro Colonialismo Verde, v. 2: Justiça energética e Climática nos paises árabes (Ed. Elefante, 2025), Hamza Hamouchene, a investigadora Mariana Riquito (CES) e o investigador Gustavo García-López (CES), em conjunto com outros/as investigadores/as e ativistas , e o público em geral, em temas de justiça ambiental e climática.
O evento procurará responder a perguntas chave nos debates da transição "verde": Como seria uma transição justa nestas regiões? Há espaço para uma visão de emancipação e ação climática fundamentada, de baixo para cima e não imperialista? Quál é a relação entre a justiça numa economia “verde” e a democracia e autodeterminação energética?
Notas biográficas
Hamza Hamouchene é um pesquisador, ativista e comentarista argelino radicada em Londres, além de membro fundador da Campanha de Solidariedade à Argélia (ASC) e da Justiça Ambiental no Norte da África (EJNA). Trabalhou anteriormente para a War on Want, a Global Justice Now e a Platform London em questões de extrativismo, recursos naturais, soberania alimentar e fundiária, bem como justiça climática, ambiental e comercial. É autor/editor de quatro livros: "Dismantling Green Colonialism: Energy and Climate Justice in the Arab Region" (2023), "The Arab Uprisings: A decade of struggles" (2022), "The Struggle for Energy Democracy in the Maghreb" (2017) e "The Coming Revolution to North Africa: The Struggle for Climate Justice" (2015). Contribuiu ainda com capítulos para os livros "Voices of Liberation: Frantz Fanon" (2014) e "The Palgrave Encyclopaedia of Imperialism and Anti-Imperialism" (2016). Os seus outros artigos foram publicados no Guardian, Middle East Eye, Counterpunch, New Internationalist, Jadaliyya, openDemocracy, ROAR magazine, Pambazuka, Nawaat, El Watan e Huffington Post.
Mariana Riquito é Doutoranda na Universidade de Amsterdão e Investigadora Júnior no CES, onde colabora com o projeto GREENPATHS e co-coordena a ECOSOC (Oficina de Ecologia e Sociedade). Licenciada em Relações Internacionais pela Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (FEUC) e Bachelor em Estudos Políticos pelo Instituto de Estudos Políticos de Bordéus (IEP), Mariana Riquito é Mestre em Relações Internacionais - Estudos da Paz, Segurança e Desenvolvimento pela FEUC e Mestre em Sociologia e Ciência Política pelo IEP. Mariana escreve e pesquisa sobre a arena contestada da transição energética, explorando debates sobre extrativismo, ecofeminismo, pluralismo ontológico e alternativas socioecológicas, a partir de Covas do Barroso.
Gustavo García López é um investigador engajado, educador e organizador das ilhas de Porto Rico. Tem formação transdisciplinar em ciências socioambientais, combinando a ecologia política e o planeamento e as políticas públicas ambientais com estudos decoloniais da América Latina e das Caraíbas. O seu trabalho centra-se em iniciativas e movimentos eco-sociais transformadores, fazendo a ponte entre as ideias dos comuns, da autogestão, e da justiça ambiental e climática. Atualmente é investigador titular no Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, onde integra a Oficina de Ecologia e Sociedade (ECOSOC) e o Observatório de Riscos (OSIRIS), e coordena o projeto EJMapping: Contra-mapear conflitos de justiça ambiental na periferia europeia: o caso de Portugal. Também, é membro cofundador do blogue de ecologia política Undisciplined Environments e do coletivo Post-Extractive Futures, e faz parte do Pacto Ecosocial e Intercultural do Sul, uma plataforma que junta pessoas de diversos coletivos e países Latinoamericanos para criar visões e soluções coletivas pela transformação ecosocial.


