Gender Workshop

Feminismos Ciganos | Conversa Feminista com Voria Stefanovsky, Maria Gil e Mariana Gil

25 de março de 2026, 17h00

Sala 1, CES | Alta

O Gender Workshop apresenta, mensalmente, conversas com pessoas que se distinguem pelo trabalho feminista ou na área de género. Esta sessão reúne três mulheres ciganas/Romani, que conversarão sobre feminismos ciganos entre Portugal, Espanha e o Brasil.


Notas biográficas

Voria Stefanovsky é doutora e Mestre em Literatura e Práticas Sociais pela Universidade de Brasília – UnB. Também é graduada em Jornalismo (Universidade Autónoma de Honduras) e Artes Cênicas (Universidade de Brasília). Em 2025 concluiu estágio pós-doutoral no Centro de Humanidade e Artes – CHAM, da Universidade Nova de Lisboa, sobre a literatura romani de expressão feminina e suas relações com o feminismo romani. Desenvolveu o podcast “Conversas com Mulheres Romanis”, atualmente disponível em português e espanhol, no Spotify. Escritora, atriz, pesquisadora e ativista romani internacional, diretora do Observatório Internacional de Mujeres Romani|Gitanas, vice-diretora do Observatorio Gitano – Argentina, membra de La Fragua Projects – Madrid – Espanha e da Associação Internacional Mayle Sara Kali – Brasil.

Dedicou suas pesquisas acadêmicas ao estudo da literatura romani, desde 2006. Sua tese doutoral “Juncos ao vento”: literatura e identidade romani (2015) ganhou o prêmio de melhor tese de 2016 na UnB e o Prêmio Instituto de Cultura Gitana da Espanha (2022). Em 2023 recebeu o Prêmio Amico Rom, outorgado pela UCRI – Itália, pelo seu ativismo e trabalho em prol do Povo Romani. Seu livro de poesias “Selección de poemas de Voria Stefanovsky” da Coleção I barval phùrdel (Elviento sopla), publicado em 2024 pelo Instituto de Cultura Gitana|Ministério de Cultura da Espanha, em espanhol e romani. Em 2020 foi titular do primeiro curso de pós-graduação sobre Cultura Romani ministrado por uma mulher romani, na Universidad de la Patagonia Austral – UNPA, Argentina.

Também organizou o primeiro Congreso Internacional de Mujeres Romani|Gitanas da América Latina, na modalidade virtual, em 2022. Possui artigos na área de literatura, cultura, mulher, língua e feminismo romanis. Colabora com associações, universidades, institutos e organizações internacionais com conferências, palestras e aulas como pesquisadora independente.

Foi nômade e circense até os 15 anos, aos 10 anos foi retirada violentamente de sua família pela polícia e levada a uma instituição católica que abrigava crianças órfãs. Já sendo autodidata, aprimorou-se rapidamente no aprendizado de escrita e leitura e frequentou pela primeira vez uma escola. Foi diagnosticada no orfanato como uma criança com altas habilidades e considerada “muito inteligente” para uma “cigana”. Pode voltar ao circo de sua família aos 12 anos, decidida a continuar estudando e a um dia lutar para que histórias como a sua não se repetissem. Outro fato marcante em sua vida foi a história de seu avô, um dos sobreviventes do Samudaripen (Holocausto Romani) que traumatizado pela experiência deixou a Rússia junto a alguns poucos familiares e passou a viver de forma itinerante com seu circo que viajava constantemente pelo continente americano, parte dessa história foi apresentada no conto infanto juvenil inédito “A palhacinha Romani” que foi premiado em 2025 no Brasil.


Maria Gil | Nascida no Porto, Portugal, em 1972, Maria Gil é uma artista interdisciplinar cigana, cujos percursos artístico e político se fundem na defesa dos Direitos Humanos através das suas práticas como atriz, encenadora e ativista. Com um percurso iniciado no teatro fórum e comunitário, desde 2011 tem-se tornado uma figura central na promoção da inclusão e na autodeterminação do povo Roma em Portugal. O seu percurso no cinema inclui a co-autoria do argumento e a interpretação no filme Cães que Ladram aos Pássaros (Leonor Teles), além de participações em curtas-metragens premiadas internacionalmente, como Azul de Ágata Pinho e As Gaivotas Cortam o Céu de Mariana Bartolo. Na televisão, deu vida a Carmen na série Braga de Tino Navarro. Em 2021, o LEFFEST (Lisbon & Sintra Film Festival) premiou-a como personalidade de destaque na divulgação da cultura Romani. Recentemente integrou o premiado "Entroncamento" (Pedro Cabeleira). Neste último, Maria desempenhou um papel crucial ao descobrir o talento revelação Henrique Barbosa (também cigano), que interpreta o seu filho na obra. Como encenadora, dirigiu Homo Sacer (2023/24) para a Odisseia do Teatro Nacional D. Maria II. Em 2025, Maria assinalou um marco histórico na programação cultural portuguesa como Diretora Artística do projeto "IRM_A: Identidades Romani Mulheres de Aldoar" (Cultura em Expansão). Este foi o primeiro projeto dirigido por uma mulher cigana a unir artistas ciganos de diversas áreas e gerações, resultando no documentário Para Além da Ficção - Arte, Ativismo e as Vozes das Mulheres Ciganas, realizado por Salvador Gil. Este trabalho foi fundamental para a construção de uma genealogia artística cigana, consolidando a sua voz como uma referência essencial no pensamento antirracista contemporâneo.


Mariana Gil | Nascida no Porto, Portugal, em 2005, Mariana Gil é estudante de Ciências da Comunicação no ramo de Comunicação Estratégica. Criada no seio de uma família cigana, ela combina o conhecimento académico com um forte envolvimento em palestras públicas, ativismo e criação de conteúdos para mídias digitais. O seu percurso tem sido marcado pela interdisciplinaridade, diz que não quer ser- e não é- uma só coisa. Em 2022, com 16 anos, teve a sua primeira participação como oradora no programa televisivo “Scroll” na RTP1, onde falou sobre a questão da apropriação cultural. Desde aí tem participado como palestrante em iniciativas focadas em direitos humanos, cultura e educação, ao mesmo tempo que explora a expressão criativa através da moda e dos meios digitais. Em 2023 também foi finalista dos cabelos Pantene, um percurso feito com carisma, mas também com consciência. No mesmo ano, foi oradora no encerramento do Humanity Summit, no padrão dos descobrimentos, em Lisboa. Continua a atuar como oradora e criativa a promover boas práticas de cidadania e educação com públicos de várias idades, acreditando na comunicação como um veículo de pensamento crítico e emancipação.


Gender Workshop Series XVI

Conversas Feministas