Teses Defendidas
The City, The Museum and The Spatial Contestations: The politics of collective action at la casa pumarejo in Seville, Spain
8 de Setembro de 2026
Human Rights in Contemporary Societies
Ruth Ivonne Herrera Pineda
e
Tiago Castela
Esta tese investiga a transformação da Casa Pumarejo (um antigo palácio de estilo colonial em Sevilha) num espaço museológico decolonial. O estudo analisa a relação deste processo com movimentos sociais urbanos e a luta contra a gentrificação e a turistificação. O objetivo central é compreender como espaços ocupados e autogestionados podem redefinir práticas museológicas tradicionais, questionando estruturas coloniais de poder, memória e espaço. A pesquisa adota uma metodologia etnográfica crítica, entrevistas semiestruturadas com membros do movimento, além de consultas aos arquivos do movimento e fontes secundárias, revisão bibliográfica interdisciplinar que abrange museologia, estudos urbanos e teoria decolonial. Os resultados revelam que a Casa Pumarejo, através de suas práticas cotidianas de organização política como: assembleias horizontais, apoio jurídico popular, oficinas culturais autogestionadas e a manutenção de um arquivo comunitário; acabam por deslocar e contestar as definições e funções convencionais do museu. Esta contestação, no entanto, não é um projeto museológico interno do movimento. Partindo de uma hipótese de pesquisa que via o espaço como um potencial museu decolonial, a análise etnográfica demonstrou que os ativistas não buscam reformular a instituição museal, mas sim contra-colonizar o espaço. Eles o fazem mediante uma prática militante que reconfigura o casarão colonial em um espaço de poder comunitário e memória viva, onde a própria comunidade, atuando como curadora de sua história, opõe-se materialmente às lógicas de gentrificação, turistificação e abandono institucional. A análise identifica três formas de memória materializadas no espaço: a memória museal, de carácter documental e arquivístico; a memória social-coletiva, expressa em objetos e iconografia de teor político que os membros utilizam para inscrever a sua narrativa no espaço; e a memória afetiva, constituída por objetos pessoais que ancoram biografias individuais ao coletivo. Esta tipologia demonstra como os processos de horizontalidade e participação direta, fundamentais para a autogestão do Pumarejo, não apenas democratizam, mas também redefinem radicalmente os modos de produção e curadoria cultural, deslocando-os da autoridade institucional para o corpo comunitário. Além disso, demonstra como o movimento okupa, ao ocupar edifícios históricos, subverte a lógica colonial dos museus, transformando-os em laboratórios de experimentação social e política. A conclusão aponta que a experiência de Pumarejo oferece um modelo alternativo de museu, centrado na comunidade e na resistência, contribuindo para debates sobre decolonização, direito à cidade e preservação do patrimônio cultural. As implicações incluem a necessidade de reconhecimento institucional desses espaços como museus e a valorização de suas práticas como ferramentas de transformação social. A tese destaca a tensão entre a institucionalização e a manutenção da autonomia do movimento, propondo que a humanização de conceitos como museu, poder e urbano é fundamental para uma museologia decolonial e prefigurativa.
Palavras-chave: Direito à cidade, movimentos sociais, memória coletiva, museu decolonial, Sevilha
Data de Defesa
Programa de Doutoramento
Orientação
Resumo
Palavras-chave: Direito à cidade, movimentos sociais, memória coletiva, museu decolonial, Sevilha

