Colóquio

Descolonização Rural

9 de julho de 2026, 10h00-12h00 | 14h00-18h00

Auditório da Biblioteca Nacional de Portugal

Notas biográficas

Vera Polido Baeta (Dinâmia' Cet, ISCTE-IUL) | Arquiteta-urbanista. PhD Oxford Brookes University. Tem trabalhado sobre direitos de terra, meios de produção e urbanismos na África lusófona, mais recentemente em Moçambique, e na execução de fundos europeus para a habitação em IHRU I.P. Ensina no curso do RIBA, School of Architecture, Oxford Brookes.

José António Bandeirinha (Universidade de Coimbra, Departamento de Arquitetura) | Arquiteto pela Escola Superior de Belas-Artes do Porto (1983). Exerce profissionalmente e é Professor Catedrático do Departamento de Arquitetura da Universidade de Coimbra, onde se doutorou em 2002 com uma dissertação intitulada O Processo SAAL e a Arquitetura no 25 de Abril de 1974. É investigador do Centro de Estudos Sociais. Foi Diretor do Departamento de Arquitetura da Universidade de Coimbra (2002-2004; 2006-2007 e 2017-2021). Foi Pró-Reitor para a Cultura da Universidade de Coimbra (2007 a 2011). Foi Diretor do Colégio das Artes da Universidade de Coimbra (2011-2013). Foi Comissário da Exposição Fernando Távora Modernidade Permanente, cujo coordenador foi Álvaro Siza, integrada em Guimarães Capital Europeia da Cultura 2012. Foi Consultor Científico da Exposição O Processo SAAL Arquitetura e Participação 1974-1976, comissariada por Delfim Sardo e organizada pelo Museu de Arte Contemporânea de Serralves em colaboração com o Canadian Centre for Architecture, Montréal, Canadá. (2014-2015). No Departamento de Arquitetura da Universidade de Coimbra, tem vindo a lecionar regularmente no Mestrado Integrado em Arquitetura, no Doutoramento CoimbraStudio e tem sido orador convidado em diversas escolas de arquitetura, portuguesas e europeias. Tem dedicado os seus estudos às consequências arquitetónicas e urbanas das práticas políticas, com particular incidência no século XX português.

Tiago Castela (Universidade de Coimbra, Centro de Estudos Sociais) | Tiago Castela (Lisboa, 1974) é historiador da arquitetura e do urbanismo, e arquiteto. Investiga a história de arquiteturas periféricas, e contribui também a partir da arquitetura para a história das políticas de habitação. Para ambos os temas, dedica-se a Portugal e ao Sul de África na transição entre colonialismo e democratização. Escreve história da arquitetura informada por uma sensibilidade etnográfica. Em 2011, concluiu o doutoramento em Arquitetura na Universidade da Califórnia, Berkeley, nos EUA. É investigador auxiliar do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, onde é também professor convidado do Departamento de Arquitetura. É ainda investigador colaborador do Centro de Estudos Nuno Portas da FAUP. Vive no Porto com a sua filha de 9 anos.

Aharon de Grassi (College of the Desert, EUA) | É um geógrafo crítico, interdisciplinar e engajado, com 25 anos de experiência focada na economia política do desenvolvimento rural em África, particularmente em Angola. Além da reconstrução e do desenvolvimento contemporâneos nas zonas rurais de Angola, os seus projetos incluem a ecologia política dialética de Amílcar Cabral, as raízes coloniais das abordagens Weberianas nos Estudos Africanos, e as transformações rurais de longo prazo antes e depois da revolta rural de Angola em 1961 na Baixa de Kasanje. Obteve o seu doutoramento pela Universidade da Califórnia, Berkeley, e foi bolseiro em Portugal e nas Universidades de Yale e Bayreuth, bem como trabalhou com diversos institutos de investigação e organizações internacionais.

Rui Aristides Lebre (Birmingham City University, Reino Unido) | Professor Auxiliar no Departamento de Arquitetura e Ambiente Construído, Birmingham City University (BCU), Reino Unido, é arquiteto e investigador de práticas espaciais, focado na aplicação experimental de métodos etnográficos no estudo dos efeitos sociais e ambientais da produção do espaço. A sua investigação recente examina a história dos aldeamentos de guerra usados por Portugal como poder colonial nas guerras de libertação de Angola, Moçambique e Guiné-Bissau. Na BCU, o Dr. Lebre é atualmente cocoordenador do curso de Arquitetura (L4_BA Arch) e delegado no Comitê de Ética e Integridade na Investigação na área das Artes e Humanidades.

Francisco Sousa Lobo | Sou autor de banda desenhada formado em artes plásticas, banda desenhada e arquitetura, e ensino teoria crítica, banda desenhada e ilustração em Londres e Lisboa. O meu trabalho, que já conta com 18 publicações, flutua entre o documental, a autobiografia e a ficção. Aldeamentos de Guerra, projeto a apresentar, inscreve-se no lado ensaístico e documental da minha obra. O meu trabalho tem sido publicado e divulgado, com receção crítica, em Portugal, Reino Unido, Espanha, países francófonos, Itália, Croácia, Letónia e América Latina. Preocupa-me a sobreposição e conjugalidade entre forma e conceito em banda desenhada, relação entre imagem e texto, e uma narratologia intuitiva, que não se fixa em modelos rígidos mas antes explora terrenos híbridos. A minha banda desenhada vem da vida e do real, da leitura e da própria prática da BD. É simples na acessibilidade e relação com formas anteriores e contemporâneas da BD, mas complexa nas próprias referências que absorve ou revela. É comum eu escolher um tema forte ou próximo de uma radicalidade humana qualquer, de um limite da experiência humana. A banda desenhada, como eu a entendo, é outra coisa que não um subgénero literário, é uma forma de narração visual com propriedades e códigos específicos, em que o terreno virgem, do ponto de vista autoral, é claramente presente e visível. Há muito para fazer.

Ana Filipa Ramos (Universidade do Porto, Faculdade de Arquitetura) | Estudante de arquitetura na Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto e encontra-se a desenvolver a dissertação de mestrado intitulada “Ver, Mapear, Reconhecer. Práticas femininas invisibilizadas em aldeamentos coloniais africanos”. É bolseira de investigação no projeto “RuralDecol”, promovido pelo Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra e financiado pela FCT.

Isabel Raposo (Universidade de Lisboa, Gestual-CIAUD) | Arquiteta (ESBAL, 1976), doutora em urbanismo (Universidade de Paris XII, 1999), com pós-doutoramento no Centro de Estudos sobre África e é professora associada da Faculdade de Arquitetura da ULisboa, onde foi docente entre 2002 e 2022. É membro honorário da Ordem dos Arquitetos (2017). Trabalhou sete anos em Moçambique (entre 1979 e 1989) na Direção Nacional de Habitação e Instituto Nacional de Planeamento Físico, tendo participado e coordenado pesquisas sobre a transformação do habitat de bairros periféricos e aldeias. Nos anos 1990 foi consultora para a Associação InLoco e o município de Loulé. Entre 2007 e 2023 criou e coordenou o Gestual (Grupo de Estudos Socio-Territoriais, Urbanos e de Ação Local, do CIAUD-FA-ULisboa), tendo orientado vários mestrandos e doutorandos, e supervisionado projetos pós-doutorais, sobre a transformação urbana e habitacional em cidades da Lusotopia e coordenado vários trabalhos de extensão universitária em bairros periurbanos da Área Metropolitana de Lisboa (AML). Desde a década de 1980, participou e coordenou vários projetos de investigação, de que se destacam dois financiados pela FCT, sobre os bairros de génese ilegal na AML (2011) e "África Habitat" sobre as margens urbanas de Luanda e Maputo (2023). Tem vários livros, capítulos de livros e artigos publicados e em publicação.

Ramon Sarró (Universidade de Lisboa, Instituto de Ciências Sociais) | Estudou antropologia na UCL (MSc 1989, PhD 1999) e trabalhou na UCL e na LSE antes de ser Ioma Evans-Prichard Junior Research Fellow no St Anne’s College entre 2000 e 2002. Foi Fellow do Programa de Estudos Agrários em Yale em 2010-11, antes de se juntar a Oxford em 2012. Realizou investigação de campo na Guiné, Guiné-Bissau, Portugal (entre as diásporas africanas), Angola e na República Democrática do Congo. Sarró tem trabalhado nas dimensões religiosas e políticas da mudança social em África e na diáspora, bem como nas manifestações da imaginação profética e na cultura material (incluindo a destruição iconoclástica). 
Após a sua longa ligação com as comunidades falantes de Baga na costa da Guiné, Sarró foi recentemente o investigador principal do projeto internacional “Mangroves and Aluminium”, financiado pelo esquema de grandes subsídios do John Fell Fund (2018-21), onde uma equipa de investigadores da Europa e da Guiné (Conacri) avaliou o impacto da mineração de alumínio nas comunidades de cultivo de arroz da costa guineense (Baga e além de Baga), uma região que conhece desde 1992. No país vizinho, a Guiné-Bissau, Sarró esteve envolvido na revitalização do Museu Nacional Etnográfico de Bissau, uma instituição criada em 1987 que desapareceu durante a guerra civil de 1998-99. Com base em fotografias antigas, Sarró e uma equipa de investigadores reconstituíram a história do museu e conseguiram recriá-lo na capital do país da África Ocidental.
Atualmente, está como investigador coordenador convidado no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, onde é o ERA Chair Holder “Imagination and Society”.

Nsambu Vicente (Instituto Superior Politécnico Internacional de Angola - ISIA) | Doutor em História Contemporânea pela Universidade de Évora (2025). Atualmente, exerce funções como docente e Vice-Presidente para os Assuntos Científicos e Pós-Graduação do Instituto Superior Politécnico Internacional de Angola (ISIA). Integra duas equipas internacionais de investigação: o projeto Kongo Prophets and UNESCO Technocrats: Ruins, Forests, and Heritage in Northern Angola (2022–2025), coordenado por Ramon Sarró e financiado pela Leverhulme Trust; e o projeto Rural Decolonization: The Portuguese Revolution and the Liberation of Villagization Camps in Angola, Mozambique and Guinea-Bissau, 1974–75, coordenado por Tiago Castela. A sua investigação centra-se na História Contemporânea de Angola, com particular enfoque na luta de libertação nacional, analisada a partir das experiências, memórias e trajetórias das mulheres. Os seus interesses científicos abrangem igualmente a história oral, a memória social, a toponímia, o património histórico-cultural e os processos de construção de identidades, explorando as relações entre memória, território e sociedade no contexto angolano.