Seminário
Imigração de mulheres, subalternização quotidiana e a luta possível pela agência
Fernanda Soares de Sousa
Monise Martinez
28 de setembro de 2026, 17h00 (GMT+1)
Evento em formato digital
Este seminário discute os desafios enfrentados por mulheres imigrantes no Brasil e em Portugal. Queremos refletir sobre a perceção, no Norte e Sul Globais, da imigração oriunda da América Latina, debatendo os desafios e as formas de agência diante da colonialidade e da colonização do imaginário (Quijano, 1992). Neste seminário, discutimos Brasil e Portugal a partir da experiência de mulheres migrantes venezuelanas na Paraíba e de mulheres brasileiras em Portugal. Tendo por lente a colonialidade de género, as oradoras discutirão os desafios vividos por estas mulheres diante de uma subalternização quotidiana e cumulativa e da ausência de políticas realmente interseccionais, capazes de reduzir a vulnerabilidade destas mulheres.
Colonialidade de género e proteção migratória: discutindo a produção institucional da 'mulher migrante vulnerável' no contexto brasileiro
Nesta apresentação, Fernanda Soares de Sousa propõe uma reflexão teórico-conceitual sobre a ambivalência da proteção institucional às mulheres migrantes. Parte da distinção entre o reconhecimento de vulnerabilidades concretas, indispensável à formulação de respostas públicas, e a produção da vulnerabilidade como identidade institucional dessas mulheres. Quando naturalizada, essa representação pode reduzir sujeitos plurais à figura homogênea da vítima que necessita de proteção, obscurecendo sua historicidade, autonomia e capacidade política.
A partir desse recorte, Fernanda Soares de Sousa pergunta: como a articulação entre a colonialidade de gênero de María Lugones e a crítica ao feminismo civilizatório de Françoise Vergès permite compreender a passagem do reconhecimento de vulnerabilidades concretas para a produção institucional da “mulher migrante vulnerável”?
Palavra desordem: escrita, edição, imigração e resistência
A esfera pública, como bem demonstraram Rita Felski e Nancy Fraser, nunca foi um espaço neutro. Trata-se, antes, de um terreno de disputa atravessado por relações de poder desiguais, no qual se disputa constantemente o que se torna dizível e legítimo. É nesse sentido que, diante do espraiamento da extrema direita e de seus discursos anti-igualitários e antidemocráticos em diferentes países, importa questionar como se constituem e se fortalecem contrapúblicos capazes de oposição.
Nessa direção, Monise Martinez propõe pensar o escrever, o editar e o publicar como práticas de contrapublicidade - práticas por meio das quais vozes cotidianamente silenciadas, como as de mulheres, pessoas racializadas e imigrantes, podem reivindicar narrativas próprias sobre suas subjetividades políticas e necessidades. Para isso, parte de uma posição situada, como escritora e editora, para revisitar projetos e publicações nos quais colaborou em Portugal, enquanto imigrante, pensando essas experiências como práticas concretas de resistência e disputa simbólica.
Comentários: Luciane Lucas dos Santos, investigadora do CES
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Esta atividade realiza-se através da plataforma Zoom, sem inscrição obrigatória. No entanto, está limitada ao número de vagas disponíveis > https://zoom.us/j/83184809982 | ID: 831 8480 9982 | Senha: 402482
Agradece-se que todas/os as/os participantes mantenham o microfone silenciado até ao momento do debate. A/O anfitriã/ão da sessão reserva-se o direito de expulsão da/o participante que não respeite as normas da sala.
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