Oficina
Escuta coletiva do Podcast "Fronteira do Medo"
Ricardo Esteves Ribeiro (Cofundador do Fumaça)
15 de setembro de 2026, 16h00-18h00
Sala de Seminários (piso 3), CES | Sofia
Fronteira do Medo é uma série sobre o policiamento de bairros guetizados, as pessoas que ali habitam e os polícias que lá trabalham. Um podcast narrativo e um site interativo com 14 capítulos, realizado pelo Fumaça, podcast de jornalismo de investigação, e Divergente, revista digital de jornalismo narrativo.
O Fumaça e o CES organizam um encontro de escuta coletiva para ouvir um episódio em conjunto e depois abrir um debate com a presença de Ricardo Esteves Ribeiro, cofundador do Fumaça.
Fronteira do Medo começa na noite de uma intervenção policial num bairro segregado em Lisboa, onde um homem negro acaba detido, acusado de resistência a um agente da autoridade, e acusa o polícia que o deteve de brutalidade policial. A série segue o caso judicial de ambos, mas demonstra que esta história é muito maior do que uma noite. Ao longo de 14 episódios, dezenas de polícias e moradores em locais considerados "Zonas Urbanas Sensíveis" descrevem sobre como se policiam o que chamam "lugares de exceção"; analisa-se como se construiu, na esfera política e mediática, o conceito do "bairro problemático"; escrutinam-se as condições de trabalho e formação nas forças de segurança e as estratégias de reforma propostas por sucessivos governos; documenta-se um padrão (assumido pelos próprios agentes) de falsificação de documentos e encobrimento de atos de brutalidade; e olha-se o tratamento judicial e disciplinar de crimes cometidos por e contra polícias.
Inscrição obrigatória
INFORMAÇÃO IMPORTANTE: Nesta escuta, irão usar-se auriculares sem fios Avantree, com volume individual ajustável - caso tenhas alguma preocupação ou dificuldades auditivas, contacta-nos para que possamos garantir a melhor experiência. Este episódio contém descrições explícitas de violência.
Nota biográfica
Ricardo Esteves Ribeiro. Aos 17 anos, enquanto sonhava com um curso de Ciência Política ou Filosofia, convenci-me de que a candidatura a Gestão era a via mais rápida para um dia não ter de trabalhar para alguém. Não foram precisos mais de três meses para perceber que o curso não me dizia nada. E saí. Trabalhei em empresas tecnológicas em Lisboa e em Milão – a Uniplaces, a WalletSaver, a Unbabel (da qual sou acionista minoritário contra a minha vontade) –, mas o sonho de ler, ouvir e contar histórias, sempre esteve comigo.
Nos blogues sob pseudónimo, nos romances inacabados por não conseguir lidar com o facto de tanta gente escrever melhor do que eu. Então, lia. E os livros entravam casa adentro, subindo pelas prateleiras até transbordarem sobre a secretária, o chão, as cadeiras. Talvez nunca tenha saído de uma livraria sem um livro. E quanto mais livros leio, mais inquieto vivo por ter a certeza de que nunca conseguirei ler tudo o que quero.
Em 2016, cofundei o Fumaça com uma série de gente amiga. Depois de ver, ler e ouvir tantos outros projetos de jornalismo independente fora do país, perguntei-me: Porque ninguém conta estas histórias em Portugal? Porque ninguém faz estas perguntas? Porque ninguém ouve estas pessoas? Como disse Eduardo Galeano, um dia: “O que eu gostaria de ser escrevendo é ser capaz de olhar o que não se olha, mas que merece ser olhado. As pequenas, as minúsculas coisas da gente anónima, da gente que os intelectuais costumam desprezar.”
A partir daí, as horas de sono, que sempre me foram poucas, espremeram-se ainda mais – não se consegue dormir com a injustiça à frente dos olhos. Hoje vivo em Pitões das Júnias, uma pequena aldeia na Raia entre Trás-os-Montes e a Galiza.

