A ética dos alunos e a tolerância de professores e instituições perante a fraude académica no ensino superior

Período
1 de março de 2011 a 30 de junho de 2014
Duração
40 meses
Financiamento
Fundação para a Ciência e Tecnologia
Resumo

A ética pessoal refere-se à forma como cada indivíduo julga a moralidade das acções humanas e das intenções que lhes são subjacentes. Em concreto, ela remete para os conceitos e critérios de “bem” e de “justiça” adoptados por cada pessoa nas suas interacções sociais e que, projectados nas suas acções, padronizando comportamentos, produzem impacto significativo no bem-estar colectivo. A ética e os padrões morais adoptados na conduta profissional resultarão, provavelmente, do cruzamento de influências provenientes da educação familiar, da cultura nacional e organizacional de tolerância à fraude (Temple e Petrov, 2004) da instrução formal, das experiências de vida e das exigências específicas de cada sector de actividade ou contexto profissional. No caso particular da ética no trabalho, a formação universitária pode desempenhar um papel decisivo na consolidação de um sistema de valores morais alinhado com um padrão ético exigente. Mas também pode estimular condutas vulneráveis à transgressão e à acção imoral. Por isso, o estudo da ética dos alunos do ensino superior e do contexto que a envolve revela-se essencial para compreender o papel da educação formal na estruturação de uma ética pessoal, enquanto factor que antecede e influencia a conduta moral no contexto profissional futuro. Para analisar a ética dos alunos do ensino superior, o conceito de fraude académica assume um papel central, sendo definido, no âmbito desta pesquisa, como qualquer transgressão moral praticável por um aluno no contexto das suas relações académicas e das suas responsabilidades perante professores, colegas e a instituição que o acolhe. Ou seja, constituirá fraude académica todo o acto ou omissão consciente que possa comprometer a justiça na avaliação comparativa dos desempenhos, competências e conhecimentos dos alunos entre si (comprar trabalho anonimamente na internet, apresentar o mesmo trabalho em diferentes disciplinas, etc. Cf. tabela de tipificação de cenários – Anexo I). Como se sugere nesta proposta de pesquisa, é possível organizar a fraude académica em categorias de análise que permitam a sua decomposição e interpretação à luz das correntes clássicas da filosofia moral, tais como a deontologia de I. Kant (1724-1804) ou o utilitarismo de J. Stuart Mill (1806-1873). A fraude académica dos alunos do ensino superior, para além do impacto que exerce na formatação de comportamentos futuros em todos os domínios, tem, em si mesma, uma implicação moral delimitada pela honestidade perante a instituição, pela lealdade perante os colegas, pela transparência perante os professores e pela dignidade individual perante si próprio. Neste caso pretende-se avaliar a conduta dos alunos e a sua percepção sobre os limites da moralidade no contexto académico. Reconhecendo a sua relevância para a reflexão ética, será também estudada a opinião dos alunos sobre os motivos e os factores inibidores da fraude. Mas esta pesquisa, visando ser inovadora no contexto em que se concretiza, dedica-se também a estudar a forma como essa conduta é estimulada, inibida ou ignorada. Nessa medida, procura conhecer padrões de tolerância à fraude junto de professores e instituições, caracterizando, designadamente, acções preventivas e punitivas de fraude académica concretizadas pelos docentes ou engendradas pelas instituições. Os mesmos critérios e instrumentos que são usados para recolher a opinião dos alunos são igualmente utilizados para recolher as opiniões dos professores sobre os motivos e os factores inibidores da fraude. A pesquisa enquadra-se na prática profissional dos membros da equipa de investigação e, concretamente, no interesse científico que os membros nacionais da equipa vêm consagrando a estas matérias. Neste aspecto relevamos o facto do Investigador Responsável desta proposta de projecto (F. Almeida) ser doutorado na área de ética aplicada ao contexto empresarial e ter recentemente feito parte da organização do Congresso Internacional “Governance and Management Models in Higher Education”, realizado na Univ. de Coimbra de 3 a 5/9 de 2008 [39 artigos, 65 autores, 12 oradores convidados e 16 países representados]. Ou, por exemplo, o facto de P. Peixoto ser Director da Revista “Ensino Superior” e de ter sido, entre 2006 e 2008, Presidente da Direcção do Sindicato Nacional do Ensino Superior. Ou de Ana Seixas ser uma especialista na área da educação, integrando actualmente o projecto "Sucess Factors and Dropout in Higher Education in Portugal: A Comparative Analysis" (POCI XXI/FCT). Trata-se, em todos os casos, não só da evidenciação de um investimento científico nesta área, mas também da prova de existência de uma rede de contactos facilitadora da execução desta proposta de pesquisa. O objectivo geral da pesquisa passa por estudar a atitude e a opinião de alunos e professores perante situações de fraude académica no ensino superior de modo a identificar “culturas de fraude”, “padrões de tolerância à fraude” e os motivos e os inibidores da transgressão

Parceiros

Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra

Investigadoras/es
Ana Maria Seixas
Denise Esteves
Eva Vicente Hernandez
Filipe Almeida (coord)
Paulo Gama
Paulo Peixoto
Ulisses Neves Rafael
Palavras-Chave
ética dos alunos, tolerância à fraude académica, culturas de fraude, ensino superior