https://ces.uc.pt/summerwinterschools/?lang=1&id=32302

CES Summer School

Reacender a imaginação cívica para a mudança social

7 a 11 de junho de 2021

Evento em formato digital

Apresentação

We all – adults and children, writers and readers – have an obligation to daydream.
We have an obligation to imagine.
It is easy to pretend that nobody can change anything, that we are in a world
in which society is huge and the individual is less than nothing: an atom in a wall, a grain of rice in a rice field.
But the truth is, individuals change their world over and over,
individuals make the future, and they do it by imagining that things can be different.
«Neil Gaiman: Why our future depends on libraries, reading and daydreaming»

[Imagem © Gabriella Clare Marino / Unsplash]

 

A ‘Imaginação cívica’ refere-se à capacidade de imaginar alternativas às condições culturais, sociais, políticas e/ou económicas contemporâneas. A pesquisa sobre a imaginação cívica (Jenkins et al. 2020) tem criado um espaço onde as humanidades se encontram com as ciências sociais para, juntas, explorarem as consequências sociopolíticas das representações culturais e as raízes culturais da participação política. Nesse processo, cria-se a necessidade de (re)pensar a nossa voz enquanto agentes políticos de mudança e a forma como entendemos e sonhamos as relações com outros/as, humanos e não humanos, e com o planeta Terra; e de reimaginar como vivenciamos a liberdade, o respeito e a democracia em momentos desafiadores em que esses direitos nos são negados.

O processo de tomada de decisão na investigação científica tem acontecido, de forma sistemática, fora da arena pública, com consequências indesejáveis na produção de conhecimento e criação de desconfiança na relação com diferentes grupos da sociedade. A comunicação de ciência e a ciência cidadã têm-se revelado fatores-chave na busca de novas formas de aproximar a ciência a diferentes comunidades, designadamente através de iniciativas em que investigadoras/es e públicos possam aprender mutuamente por meio da cooperação. Debates públicos, fóruns de discussão e o envolvimento das comunidades estudadas têm sido alguns dos mecanismos acionados para mitigar a transmissão vertical de informação e favorecer a participação pública, envolvendo diferentes agentes e combatendo a lacuna de conhecimento entre academia e sociedade em geral.

As últimas décadas têm sido marcadas por profundas alterações na paisagem social, política e económica, em diferentes contextos culturais e geográficos, acompanhadas por um alargamento e domínio das redes sociais que vieram alterar dramaticamente as sociabilidades, a construção e distribuição do conhecimento e, consequentemente, a ação coletiva. Os media e a pop culture desempenham um papel ativo fundamental neste cenário, com as faixas mais jovens a adotar metáforas políticas retiradas de sagas cinematográficas e literárias, assim como da música, recursos que nos inspiram a lutar por um mundo melhor. Dessa forma, grupos de diversas geografias e pertenças têm procurado comunicar as suas visões do mundo através da expressão artística, usando a pop culture como uma linguagem capaz de mapear trajetórias passadas e futuras que ajudam a imaginar e criar alternativas ao presente por vezes distópico.

A CES Summer School “Reacender a imaginação cívica para a mudança social” pretende debater o que podem ser esses futuros cívicos e fortalecer as pontes e a confiança entre a academia, as artes e os movimentos sociais. Baseando-se em diversos exemplos que enquadram diferentes funções que a imaginação cívica pode desempenhar, em contribuições teóricas interdisciplinares e em trabalho empírico interseccional sobre diferentes áreas do saber, este programa pretende discutir e analisar:

- O comportamento da população no contexto da crise económica e social dos últimos anos a partir da ação coletiva pelo protesto. Neste contexto, particular atenção será dada aos recursos discursivos enquadrados por esta forma de ação coletiva, projetando os principais imaginários que essas narrativas abarcam. Ainda neste âmbito, a ação coletiva pelo protesto é discutida como estratégia legítima de pressão e imaginação sobre a mudança apresentada como forma convencional de participar nos projetos coletivos do país.

- A procura ativa de agência e da voz pela justiça social no espaço público pelos jovens, expressa através de inscrições gráficas, flashmobs, cultura hip hop, mas também dos novos media e formatos (e.g.: memes), incluindo na reivindicação de direitos de “cidadania linguística”, pela descolonização de multilinguismo e da educação e pela construção de conhecimentos alternativos de futuro.

- O papel dos media como (re)produtores e normalizadores de imaginários de violência sustentados por noções de masculinidade hegemónica e simultaneamente como espaço de grande potencial para a desconstrução desses mesmos imaginários e para a negociação de noções de masculinidade mais consentâneas com a igualdade de género e a transformação social.

- O ativismo em rede de fãs, os seus usos de tecnologias e discursos, na intersecção da participação cultural e política, percebendo o seu impacto na ação coletiva contemporânea. Fãs são aqui entendidos/as como intérpretes e criadores de conteúdo (não apenas consumidores de media), vivendo numa cultura que remistura e reconstrói narrativas e interagindo com as indústrias culturais e criativas de forma profunda. A relação dos jovens com a tecnologia transformou os seus discursos, relacionamentos interpessoais e a forma como participam em diferentes comunidades, como usam mediums, no sentido lato, e reivindicam direitos (e.g. alterações climáticas).
 

Estrutura da Escola de Verão: cinco dias com sessões teóricas, mesas-redondas, oficinas e programa cultural. As sessões da Escola de Verão decorrerão em português e em inglês.
 

Keynote speaker
Henry Jenkins, University of Southern California (Estados Unidos da América)
 

Equipa docente:

Ana Raquel Matos, Faculdade de Economia e Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra
Carlota Houart, Centro de Estudos da Universidade de CoimbraDora Fonseca, Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra
Fernanda Belizário, Agência Piaget para o Desenvolvimento/Research in Education and Community Intervention (APDES/RECI)
Haley De Korne, University of Oslo (Noruega)
José Manuel Mendes, Centro de Estudos Sociais e Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra
Júlia Garraio, Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra
Olga Solovova, Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX, Universidade de Coimbra
Paula Abreu, Centro de Estudos Sociais e Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra
Quentin Willliams, University of Western Cape (África do Sul)
Rita Alcaire, Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra
Rita Grácio, CICANT - Centro de Investigação em Comunicação Aplicada, Cultura e Novas Tecnologias, Universidade Lusófona
Rodrigo Lacerda, Centro em Rede de Investigação em Antropologia (CRIA) / NOVA FCSH
Simone Eringfeld, Cambridge University (Reino Unido)
Sofia José Santos, Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra
Tatiana Moura, Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra/Instituto PromundoPúblico alvo: Estudantes de mestrado e doutoramento, agentes culturais, artistas e ativistas.

Valor da inscrição: 50€

Candidaturas: Candidatas/os à Escola de Verão devem enviar uma nota biográfica (até 300 palavras) e uma carta de motivação (até 700 palavras) que dê conta das razões por que gostariam de frequentar esta Escola, de como o tema se encaixa nos seus interesses e de que forma enriqueceria o seu conhecimento, assim como descrever como a sua participação poderia contribuir para a discussão do grupo. As candidaturas devem ser submetidas [AQUI] até às 24h de dia 4 de abril. Para qualquer dúvida ou informação adicional deve ser usado o endereço de email civicimagination@ces.uc.pt


Datas importantes:

4 de abril - data limite para submissão de candidatura
18 de abril - seleção de participantes;
1-18 de maio - inscrição e pagamento.


Comissão Organizadora/Coordenação: Rita Alcaire, Olga Solovova, Júlia Garraio e Ana Raquel Matos.

Notas biográficas

Keynote speaker

Henry Jenkins, University of Southern California (Estados Unidos da América)
Provost’s Professor of Communication, Journalism, Cinematic Arts and Education at the University of Southern California and the founder and former co-director of the MIT Comparative Media Studies Program. He has been a dedicated advocate for media literacy education, recently receiving the Jesse McKanse award for his life-time contribution to this field, including the publication of Confronting the Challenges of a Participatory Culture: Media Education for the 21st Century which helped to launch the MacArthur Foundation’s Digital Media and Learning Initiative. Subsequent work here included Reading in a Participatory Culture and Participatory Culture in a Networked Society. His other work on children and media includes The Children’s Culture Reader and From Barbie to Mortal Kombat: Gender and Computer Games. He is currently writing a book which examines children’s media of the 1950s and 1960s in light of shifting understandings of childhood in Post-War American culture. His most recent books include Participatory Culture: Interviews, Popular Culture and the Civic Imagination: Case Studies of Creative Social Change and Comics and Stuff.


Equipa Docente

Ana Raquel Matos, Faculdade de Economia e Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra
Investigadora do Centro de Estudos Sociais e membro do Núcleo de Estudos Sobre Ciência, Economia e Sociedade (NECES). É doutorada em Sociologia no âmbito do programa "Governação, Conhecimento e Inovação" com a tese "«Birthing democracy»: Between birth policies in Portugal and mothering new forms of democracy in Brazil". As suas áreas de interesse incidem em temas como "Democracia e Participação Pública", "Movimentos sociais e ação coletiva", "Participação dos/as cidadãos/ãs nos sistemas de saúde" e "Relação entre Ciência e Conhecimentos". Tem dedicado especial interesse à análise das ações de protesto enquanto mecanismos de participação cidadã em contextos deliberativos, sobretudo na área da saúde.

Carlota Houart, Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra
Licenciada em Relações Internacionais e mestre em Relações Internacionais - Estudos da Paz, Segurança e Desenvolvimento pela Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra. É investigadora júnior do CES, integrando o NHUMEP no âmbito do Projeto DeCode/M: "(Des)Codificar Masculinidades: para uma melhor compreensão do papel dos media na construção de perceções de masculinidades em Portugal". Os seus atuais interesses de investigação incluem: Relações Internacionais, estudos da paz e dos conflitos com foco sobre as relações Humanidade/Natureza; estudos de género; e estudos dos media.

Dora Fonseca, Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra
Licenciada em Psicologia pela Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto em 2005, com especialização na área de Psicologia do Comportamento Desviante. Doutorada em Sociologia: Relações de Trabalho, Desigualdades Sociais e Sindicalismo, pela Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, em 2016. Os seus interesses de investigação centram-se nas áreas de relações de trabalho, sindicalismo e movimentos sociais.

Fernanda Belizário, APDES/RECI
Doutorada em Pós-colonialismos e Cidadania Global pelo Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra com uma tese sobre travestis brasileiras trabalhadoras do sexo migrantes na Europa, a partir de um olhar pós-colonial e queer. É investigadora integrada do centro de investigação RECI (Research in Education and Community Intervention) do Instituto Piaget/APDES. É gestora de projetos a nível europeu na área de redução de riscos e Policy & Advocacy Officer na área da defesa dos direitos de pessoas que fazem trabalho sexual. É mestre em Comunicação e Consumo pela ESPM-SP e licenciada em Ciências Sociais e Comunicação, ambas pela Universidade de São Paulo. Os seus interesses de pesquisa são os estudos de género, alargamentos teóricos dos estudos pós-coloniais e decoloniais e migrações.

Haley de Korne, University of Oslo (Noruega)
Haley de Korne is an Applied Linguist, working at the intersection of Linguistics, Education, and Anthropology to examine and contribute to language learning, literacy practices, and social justice in multilingual education contexts. Her current work focuses on teachers' critical language awareness; imaginaries of social change in multilingual regions; and pedagogies for multilingualism and multiliteracies. Main research areas include minoritised languages in education; Multilingual education policy and pedagogy; Language politics; Indigenous language reclamation; Language ideologies; Isthmus Zapotec (Mexico); Anishinaabemowin (US & Canada); Action-research; Ethnography; Interactional Sociolinguistics; Linguistic Anthropology.

José Manuel Mendes, Centro de Estudos Sociais e Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra
Doutorado em Sociologia pela Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, onde exerce as funções de Professor Associado com Agregação. Investigador do Centro de Estudos Sociais, tem trabalhado nas áreas do risco e da vulnerabilidade social, planeamento, políticas públicas e cidadania. É coordenador do Observatório do Risco - OSIRIS, sediado no Centro de Estudos Sociais, e Diretor da Revista Crítica de Ciências Sociais.

Júlia Garraio, Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra
Júlia Garraio é investigadora do Centro de Estudos Sociais, onde integra o Núcleo de Humanidades, Migrações e Estudos para a Paz (NHUMEP) e cocoordena o Grupo de Trabalho POLICREDOS, juntamente com Teresa Toldy e Luciane Lucas Santos. Grande parte da sua investigação, das suas atividades e publicações foi dedicada à literatura e à cultura alemã dos séculos XX e XXI. O seu projeto de pós-doutoramento debruçou-se sobre as representações culturais e literárias da violação de mulheres e adolescentes alemãs no contexto da Segunda Guerra Mundial. Publicou vários estudos sobre a forma como as experiências de mulheres na guerra são representadas e memorializadas em narrativas nacionais. Os seus atuais interesses de investigação incluem violência sexual, masculinidades, feminismos, nacionalismo, literatura comparada e media. É membro cofundador do grupo de investigação internacional SVAC-Sexual Violence in Armed Conflict (https://warandgender.net/about/) e faz parte do Conselho Editorial da revista European Journal of Women's Studies. Atualmente é investigadora contratada do projeto DECODEM (Des)Codificar Masculinidades: para uma melhor compreensão do papel dos media na construção de perceções de masculinidades em Portugal.

Olga Solovova, Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX, Universidade de Coimbra
Doutorada em Línguas e Literaturas Modernas (Sociolinguística) pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. É gestora de ciência no Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX e investigadora colaboradora do CES, integrando o NHUMEP. Anteriormente foi bolseira Maria Skłodowska-Curie no Centro para Estudos de Multilinguismo (MultiLing) da Universidade de Oslo. Os seus atuais interesses de investigação incluem: identidades, políticas públicas de língua e cidadania em contextos interculturais e multilingues, espaços sociais, materialidade e paisagens semióticas.

Paula Abreu, Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra e Centro de Estudos Sociais
Doutorada em Sociologia pela Universidade de Coimbra. Professora Auxiliar da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (FEUC), onde leciona nos três ciclos de ensino da sociologia. Coordenadora do Mestrado em Sociologia (FEUC). Cocoordenadora do programa doutoral Discursos: Cultura, História e Sociedade (CES/FEUC/FLUC). Investigadora do Centro de Estudos Sociais, integrando o Núcleo Cidades, Culturas e Arquitectura (CCArq), membro da equipa de investigação do projeto "UNCHARTED - Understanding, Capturing and Fostering the Societal Value of Culture" (2020-2024). Os interesses de investigação focam-se nos domínios da produção e do consumo culturais, mercados dos bens culturais, valores culturais, instituições culturais e das políticas culturais.

Quentin Willliams, University of Western Cape (South Africa)
Quentin Willliams is a sociolinguist working on extending an approach to multilingualism, culture and society, namely linguistic citizenship, in postcolonial South Africa. He has published papers and book chapters on the performance of multilingualism, popular cultural practices (specifically Hip Hop), agency and voice in urban multilingual spaces. He recently finished editing Neva Again: Hip Hop Art, Activism and Education in post-apartheid South Africa (HSRC Press) with Adam Haupt (UCT), H Samy Alim (UCLA, Los Angeles) and Emile YX? (Heal the Hood, Black Noise) published by HSRC Press (2019), and Making Sense of People and Place in Linguistic Landscapes with Amiena Peck (UWC) and Christopher Stroud (UWC) by Bloomsbury Press (2018). He is currently finishing an edited volume on Multilingualism and Linguistic Citizenship with Tommaso Milani (Gothenburg, Wits) and Ana Deumert (UCT), under contract with Multilingual Matters. He is also finishing a monograph on multilingualism and race.
His research interests are: multilingualism, popular Culture in postcolony, specifically Hip Hop; youth, race, gender, space and place; linguistic citizenship, linguistic agency, voice and marginality.

Rita Alcaire, Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra
Investigadora em Pós-Doutoramento. Bolseira de Investigação da equipa portuguesa de CILIA LGBTQI+ Desigualdades ao longo da vida de pessoas LGBTQI+: uma abordagem comparativa e interseccional em quatro países europeus, financiada pela FCT (via NORFACE). É doutorada em Direitos Humanos nas Sociedades Contemporâneas (CES/III) com a tese 'A Revolução Assexual: discutindo direitos humanos pela lente da assexualidade em Portugal', que analisa as narrativas sobre assexualidade por profissionais de saúde, media e pessoas assexuais, com o propósito de desafiar e repensar a noção de direitos humanos. Cocoordenadora do Mestrado em Psiquiatria Social e Cultural (FMUC), tem desenvolvido atividades de outreach e advocacy nesta área de especialização. Integra a organização do ciclo de formação avançada Publicar sem Perecer - Sobreviver ao Turbilhão e do Ciclo de Conversas e Debates SHARP Talks, no CES. Os seus interesses de pesquisa centram-se no alargamento teórico (e da prática) da comunicação de ciência social, no estudo do género e sexualidades, saúde mental e pop culture, usando diferentes media como uma maneira privilegiada de os abordar.

Rita Grácio, Universidade Lusófona, CICANT - Centro de Investigação em Comunicação Aplicada, Cultura e Novas Tecnologias
Socióloga, doutorada pela Universidade de Exeter (UK), licenciada e mestre pela Universidade de Coimbra. Atualmente é pós-doutoranda no âmbito do projecto muSEAum (FCT) e professora de Comportamento Organizacional na Universidade Lusófona. Trabalhou em dois projetos de investigação, também financiados pela FCT: Poesia no século XXI (CES) e A Cultura Visual da Medicina (Universidade NOVA de Lisboa). Trabalhou na área de comunicação e gestão de ciência na NOVA School of Business & Economics e na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra (IPCDSH-UC). Tem trabalho publicado em revistas como Museum International, Working with Older People, Cadernos de Arte e Antropologia, Revista Crítica de Ciências Sociais, e é uma das editoras da revista MAiA - Music and Arts in Action (Universidade de Exeter). Os seus interesses de investigação são: sociologia das artes e cultura, popular music, produção e consumo cultural, estudos de género, identidades culturais e artísticas, culturas digitais, cultura visual, mediações sociotécnicas. Colaborou com a realizadora Francisca Marvão no documentário “Ela é uma música”, sobre as mulheres portuguesas no rock, que estreou no IndieLisboa 2019. É também poeta, com publicações em várias revistas de poesia/zines, blogs, e faz leituras e performances de poesia, bem como workshops de escrita criativa.

Rodrigo Lacerda, CRIA / NOVA FCSH
Antropólogo e realizador. É doutor pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (NOVA FCSH) e ISCTE-IUL em Antropologia: Políticas e práticas da cultura e museologia e mestre pela NOVA FCSH em Antropologia, especialização Culturas Visuais. Possui uma pós-graduação da National Film and Television Schoool e uma licenciatura em Film and Broadcast Production, pela London Metropolitan University, ambas as instituições no Reino Unido. É investigador integrado do Centro em Rede de Investigação em Antropologia (CRIA) e coordenador do Núcleo de Antropologia Visual e Arte (NAVA) daquela entidade. Foi professor assistente convidado na área da antropologia social e cultural na Universidade de Coimbra e na NOVA FCSH. Realizou oito documentários que foram exibidos na RTP e festivais nacionais e internacionais e colaborou em diversas produções cinematográficas em Portugal, Reino Unido e Brasil. As suas áreas de investigação são antropologia visual, cinema indígena, património e identidade.

Simone Eringfeld, Cambridge University (Reino Unido)
Simone Eringfeld is an educationist, artist-researcher, writer and edu-coach. Ongoing topics in her research and creative work are youth and (educational) aspiration, imagined futures, embodiment, temporality, opportunity and agency. As an edu-coach, she is dedicated to helping talented students design their own learning journey and reach their full potential. Simone graduated from the University of Cambridge with a master's degree in Education and International Development in 2020. She remains affiliated to the Faculty of Education as a research assistant, podcaster and as co-Chair of the Cambridge Peace and Education Research Group (CPERG).
Furthermore, Simone holds a BA in Philosophy (University of Amsterdam), a BA in Literary & Cultural Studies (University of Amsterdam) and a BSc in International Relations (University of London). She also formally studied arts and humanities in Barcelona (Metafora Institute), Berlin (Bard College Berlin) and New York City (The New School). 

Sofia José Santos, Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra
Sofia José Santos é Professora Auxiliar de Relações Internacionais na FEUC, onde co-coordena o programa de Doutoramento "Democracia no Século XXI”, e Investigadora do CES, onde coordena o projeto DeCodeM e onde tem desenvolvido, desde 2008, investigação sobre media e relações internacionais; internet e tecnopolítica; e media e masculinidades. É também coordenadora da área programática de Media e Masculinidades no Promundo-Portugal e co-editora do Alice News. Doutorada em Relações Internacionais pela Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, tem também um diploma de Estudos Avançados em Ciências da Comunicação pelo ISCTE-IUL. Anteriormente foi investigadora e coordenadora de comunicação do Promundo-Europa, investigadora visitante no Flemish Peace Institute, Marie Curie fellow na Universiteit Utrecht e investigadora em pós-doutoramento no OBSERVARE/UAL. Para além de publicações, conferências e projetos de investigação nacionais e internacionais, destaca-se também no seu percurso o seu envolvimento com movimentos sociais e redes internacionais, bem como trabalhos que desenvolveu para think tanks, fundações e agências de desenvolvimento internacionais, como o NOREF, a UKAid, a Palladium e o Promundo-US.

Tatiana Moura, Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra/Instituto Promundo
Feminista, mãe e investigadora do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, onde co-coordena o Núcleo de Humanidades, Migrações e Estudos para a Paz, Coordenadora do Promundo Portugal desde 2014 e Diretora Associada do Instituto Maria e João Aleixo (Maré, Rio de Janeiro, Brasil) desde março de 2018. Entre 2011 e 2019 foi Diretora Executiva do Instituto Promundo (Rio de Janeiro, Brasil), uma ONG internacional com escritórios no Brasil; EUA, República Democrática do Congo e Portugal que trabalha a nível nacional e internacional no envolvimento de homens e rapazes na igualdade de género. Doutorada em Paz, Conflitos e Democracia pela Universidade Jaume I, Espanha, Mestre em Sociologia pela Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra e Licenciada em Relações Internacionais pela mesma Faculdade. Nos últimos quinze anos tem coordenado projetos sobre masculinidades, juventude e violências e trajetórias de não violência em contextos periféricos, em particular na América Latina e Europa.

____________________________


A Escola inclui também a realização de três mesas redondas moderadas por Carlota Houart (Alterações Climáticas), Paula Abreu (Artes) e Rita Alcaire (Saúde Mental):

Tecer artes, identidades e comunidades: imaginar experiências desalinhadas

Mesa-Redonda

Moderação: Paula Abreu

Alix Sarrouy - ArtCitizenship Research Project

Ricardo Lopes - Associação OUPA (Porto)

Francisca Marvão - realizadora

Sandra Oliveira - Jardins Efémeros

Nos últimos 25 anos, o universo da cultura, em Portugal, transformou-se substancialmente: cresceu e esse crescimento trouxe diversidade e pluralidade. O crescimento produziu efeitos territoriais que não anularam a macrocefalia das áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, mas atenuaram os fortes desequilíbrios existentes. A diversidade traduziu-se na proliferação e (re)invenção de expressões culturais e artísticas e nos seus múltiplos cruzamentos. E a pluralidade manifestou-se no surgimento de variados tipos agentes culturais (públicos privados, comerciais /sem fins lucrativos, coletivos/individuais, formais/informais) que se constituíram catalisadores fundamentais das muitas artes e culturas. Estes crescimento, diversidade e pluralidade acompanharam agendas políticas, económicas e sociais diversas, abrindo e confrontando os mundos das artes e outros mundos sociais. Esta abertura pode ser equacionada nos seus surpreendentes efeitos, dando conta de hibridações, contaminações e 9 provocações que interrogam o institucionalizado e revelam margens e fronteiras fluídas, férteis e desafiadoras. A Covid-19 teve um impacto brutal sobre estes universos culturais e artísticos e sobre os seus difíceis processos de crescimento, deixando a nu as muitas formas de precariedade que os atravessam e que alimentaram o seu desenvolvimento. Os dados revelados pelo Inquérito aos Profissionais Independentes das Artes e Cultura [1] dão conta dessa flagrante realidade, mostrando também a complexidade de profissionais envolvidos e as redes intrincadas de relações entre as diferentes áreas de atividade. Tendo na mira este entorno, a mesa-redonda propõe-se dar a palavra a protagonistas destes processos, de modo a fomentar uma discussão alimentada pelas suas diversas experiências e ideias e a contribuir para o desenvolvimento de uma reflexão descomplexada e crítica sobre as artes, os seus modos de ser, fazer e estar em relação com os diversos mundos sociais, dando espaço à imaginação de políticas públicas consonantes com as realidades experienciadas.

 

Ouvir (outras) vozes: que futuros para a saúde mental?

Mesa-redonda Moderação: Rita Alcaire Sessão aberta ao público em geral

Allan Barbosa - Queer Tropical

Celina Vilas-Boas - Movimento Ouvir Vozes Portugal

Maria - Movimento dxs Trabalhadores do Sexo

Rita Joana Pinheiro Maia - Associação Nacional de Cuidadores Informais

Shenia Karlsson - Instituto da Mulher Negra em Portugal

Neste último ano e meio, como consequência da crise de saúde pública que enfrentamos à escala global, a saúde mental e a procura de bem-estar têm estado em grande destaque. Os resultados do 12 estudo português Saúde Mental em Tempos de Pandemia (SM-COVID19) [2] indicam que cerca de um quarto dos participantes apresentava sintomas moderados a graves de ansiedade, depressão e stress pós-traumático. Estes dados estão de acordo com os de outros estudos internacionais congéneres, confirmando que as alterações profundas no quotidiano tiveram impactos na saúde mental e bemestar, em particular para pessoas que estão na primeira linha de combate à pandemia. No entanto, estas questões não surgiram com a pandemia. Os resultados do Estudo Epidemiológico Nacional de Saúde Mental – 1.º relatório (2013) [3], o primeiro a avaliar a epidemiologia das perturbações psiquiátricas numa amostra representativa da população adulta, mostraram que a prevalência das perturbações psiquiátricas em Portugal era muito elevada. Dentro deste panorama geral, existem indivíduos e grupos que apenas viram as suas dificuldades agravadas com a crise da COVID-19, com uma maior desproteção dos seus direitos humanos. As suas lutas por reconhecimento e dignidade, os constantes embates com burocracias e competências culturais deficitárias por parte de várias instituições, as pressões sociais e económicas, e a sua experiência na criação de redes solidárias de pares e de fundos de emergência, reivindicando respostas por parte de decisores políticos, vêm de há muito. Dessa forma, nesta mesa-redonda escutamos atentamente vozes sub-representadas na discussão e implementação de políticas de saúde mental e exploramos, em conjunto, outras facetas a partir dos discursos e reflexões destes grupos, tantas vezes deixados de lado quando se aborda a temática. Esta mesa-redonda quer contribuir para uma reflexão crítica e centrada na experiência, focando a atenção em pessoas e associações que conhecem e vivenciam aquilo que é urgente discutir e mudar para uma política de saúde mental mais inclusiva.

Esta mesa-redonda é parte integrante de "Ouvir Vozes", um projeto da Marionet em parceria com o Movimento Ouvir Vozes Portugal, o Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra e a Rádio Aurora, do Hospital Júlio de Matos, no âmbito do Programa Arte e Saúde Mental, da Direção-Geral das Artes.

 

Agir com e para a Terra: que caminhos para lá da crise climática?

Mesa-redonda

Moderação: Carlota Houart

Patrícia Vieira - CES, Georgetown University

António Carvalho - CES

Andreia Galvão - Climáximo

Blanca Lagunas - Extinction Rebellion

Jovem representante da APIB - Articulação dos Povos Indígenas do Brasil

A crise climática e ambiental global – mais conhecida por alterações climáticas – representa um dos maiores desafios que a Humanidade atualmente enfrenta. A multiplicação de eventos climáticos extremos, a rápida destruição de ecossistemas e o sexto fenómeno de extinção em massa terão profundos impactos não só a nível ecológico, contribuindo para uma perigosa perda da biodiversidade global e para a destruição de inúmeras comunidades não-humanas; mas também a nível social, económico e político, com o potencial de transformar profundamente as sociedades humanas. Dinâmicas interrelacionadas de injustiça climática e de injustiça social implicam que as nações, os povos, as comunidades e os indivíduos menos responsáveis pelo panorama atual serão mais diretamente impactados pelas consequências da crise climática, estando mais vulneráveis ao aumento das desigualdades globais, da escassez de recursos, de potenciais conflitos armados, padrões de migração forçada e outros fenómenos associados, como a desigualdade e a violência de género. Como muitas/os ativistas ambientais, pelos direitos dos animais e de movimentos pela justiça social; ecofeministas; representantes e membros de povos Indígenas e Primeiras Nações; e académicas/os críticas/os – entre outras/os – afirmam, já existem múltiplas propostas de soluções para o estado de crise global em que nos encontramos, propostas que unem o poder da imaginação cívica com objetivos de emancipação social e de justiça ecológica. No entanto, todas elas advêm de grupos contra-hegemónicos da sociedade civil, das grassroots, de setores frequentemente invisibilizados e silenciados, uma vez que tendem a pôr em causa as normas, valores, estruturas e relações de poder do sistema político e económico dominante. É, por conseguinte, imperativo construir espaços de conversa e debate sobre esta crise e sobre possíveis caminhos para o futuro que permitam ouvir a voz e atribuam um papel central às comunidades, seres e indivíduos mais marginalizadas/os e silenciadas/os; e que reflitam criticamente sobre o que está na origem da crise ambiental e climática e como ultrapassá-la. É fundamental construir pontes entre a sociedade civil, os círculos de ativismo e a academia, e compreender as ligações entre diferentes sistemas de opressão e exploração, e os objetivos partilhados entre diferentes causas. É isso que esta mesa-redonda tentará fazer, trazendo vozes do mundo académico e do mundo ativista para refletir conjuntamente sobre estas questões, sobre como podemos imaginar – e, fundamentalmente, construir – um futuro mais inclusivo, mais justo e mais ecológico para todas e todos.

______________________________

[1] Levado a cabo pelo Observatório Português das Atividades Culturais no âmbito do seu projeto Estudo Sector Artístico e Cultural em Portugal, os dados atualmente analisados pela equipa coordenada por José Soares Neves encontram-se publicados em três relatórios, disponíveis em https://www.opac.cies.iscte-iul.pt/estudo-sector-artistico-cultural

[2] Coordenado pelo Departamento de Promoção da Saúde e Prevenção de Doenças Não Transmissíveis do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, em colaboração com o Instituto de Saúde Ambiental da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa e com a Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental.

[3] Estudo Epidemiológico Nacional de Saúde Mental – 1.º relatório disponível em http://www.fcm.unl.pt/main/alldoc/galeria_imagens/Relatorio_Estudo_Saude-Mental_2.pdf

Apresentação Notas biográficas