InfoTRAUMA 
Dossier comemorativo

Não é um Adeus, é um Até já!

Lançada a 8 de Março de 2017, a InfoTrauma, folha informativa do então Centro de Trauma, propõe-se  “ser fórum de encontro, debate e partilha dos diferentes saberes de todos os que se interessam pelo Trauma Psicológico decorrente de crises, desastres ou catástrofes”, como escreve, em editorial , a coordenadora do CT, Luísa Sales.

Assim sendo, nos dez números saídos desde então, a InfoTrauma abordou questões de atualidade, fossem na sequência de acontecimentos  próximos e suscetíveis de induzir de trauma psicológico ou de problemas sociais infelizmente sempre atuais .
Logo no 1º número, a Infotrauma incluía artigos sobre as experiências vividas aquando do grande incêndio na ilha da Madeira no Verão   de 2016, mas também sobre o problema dos Refugiados que então chegavam a Portugal, tentando contribuir para um processo mais eficaz e integrador dos requerentes de proteção internacional, bem como para uma diminuição das sobrecargas de stress profissional a que estão particularmente expostos os técnicos que os acolhiam.

O 2º número, saído a 28 de Março de 2018 , refletia sobre os incêndios de Pedrógão Grande e os que deflagraram em outubro de 2017,  o cuidado a ter com todos aqueles que foram atingidos de forma direta – desde logo os feridos, os que perderam familiares, os que perderam casas, animais, plantas, a paisagem que lhes era familiar – mas também a atenção a dar aos profissionais que lhes acorreram, prestando socorro, ou reportando sobre o acontecido. E Bruno Brito, psicólogo, psicotraumatologista e treinador  de intervenção em crise, alertava para que “da mesma forma como não esperamos que um cardiologista opere alguém que tenha uma lesão num joelho, não devemos esperar que um psicólogo que não tenha formação em psicotraumatologia e intervenção em crise apoie alguém que passou pelo pior momento das suas vidas”,

É ainda sobre os incêndios o nº 3, saído em 15 de Novembro do mesmo ano : “Incêndios do 15 de outubro de 2017: a reflexão, um ano depois  “, incidindo sobre o suporte dado aos técnicos que intervêm em cenários de crise, e deixando algumas propostas que facilitem a proteção dos profissionais, no artigo “Que suporte aos técnicos que intervêm em crises, desastres ou catástrofes?”

No nº 4, em Abril de 2019, refletíamos sobre a Transculturalidade do Trauma , já que, como sublinhava no Editorial a coordenadora do Centro, Luísa Sales, “para além das particularidades do acontecimento traumático e das características específicas das potenciais vítimas, a capacidade do indivíduo (e da comunidade) para lidar com o trauma é marcada pelos contornos da matriz cultural, dos fatores ambientais, do aqui e agora em que ocorre a experiência. Essa marca revela-se quer através das estratégias adotadas para resolução e (re)significação da experiência traumática, quer através das respostas de suporte social e de reabilitação que são consequentemente implementadas, contribuindo, de forma determinante, para o evoluir de uma experiência traumática aguda, no sentido do superar do acontecimento ou da sua transição para um trauma crónico. Daí que, num mundo globalizado, perante os fluxos migratórios ocasionados por eventos geradores de trauma, seja indispensável ter em conta o impacto dos distintos valores e diferentes normas do indivíduo que chega, da comunidade que recebe. Que fatores de agravamento, que estratégias de proteção podem proporcionar as diferentes visões das diferentes culturas?”

No nº 5, e até porque o Centro de Trauma integra a Comissão Científica do CRSCM (Centro de Recursos de Stress em Contexto Militar) a InfoTrauma incluiu depoimentos de dois especialistas de reconhecido mérito - Eric Vermetten, psiquiatra militar holandês e professor na Universidade de Leiden e Rui Aragão Oliveira, psicólogo clínico e psicanalista - acerca da relação entre experiências de guerra e Trauma Psicológico, que mantêm, hoje ainda, toda a oportunidade.
 

Diana Andringa 

 

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