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CES Summer School

Laboratório de investigação artística transdisciplinar. Práticas artísticas e ciências sociais e humanas 

19 a 23 de junho de 2023

CES | Alta (Sala 1) > Candidaturas até 3 de ABRIL

Apresentação

[DR | Fotografia: 'Freedom' de Zenos Frudakis]

 

Ao contrário da concepção da arte como representação e recepção, as práticas artísticas giram em torno da função sócio-pedagógica de um acto que se revela como enunciação. Este acto consiste no tempo parado de uma experiência, de um sonho, de uma declaração ou de uma rebelião transmitida através de um poema, de uma imagem, de um som ou de um movimento. E também de todos estes ao mesmo tempo, como expressão integral de cenários ideográficos representativos de experiências. Para isso, é necessário, previamente, superar a condição exibicionista concedida ao corpo como forma de representação social (Groys, 2015) e dotá-lo de uma representação sustentada ao longo do tempo por meio da imagem dialética (Benjamin, 2008). Neste sentido, tratamos a arte desde a concepção da prática cultural como uma resposta a esquemas de dominação. Mas sobretudo, como formas estéticas com as quais tentamos construir novos horizontes de emancipação, com base numa cultura democrática, frente às formas institucionalizadas de dominação e opressão (Young, 2000).

A dimensão pública da arte transcende o esquecimento e o silêncio, criando outros modelos de relações e interações. Modelos onde as pessoas podem libertar a sua imaginação, expressar as suas experiências e projetar futuros espaços de cidadania. A contingência criativa e participativa da arte baseia-se na abertura de espaços de troca voltados para a ecologia do conhecimento (Santos, 2019 ). Nessa troca, a prática artística produz conhecimento ao resgatar a memória do corpo como lugar de territórios perdidos” (Ariza, 2015). Ou seja, daqueles territórios que a história oficial esconde, daqueles que a sociedade dominante domina. Os corpos são parte inseparável dessa territorialidade velada. São portadores de uma história incompleta com a exclusividade da escrita oficial. Neste sentido, as práticas artísticas cumprem uma função cognitiva no contexto das ciências sociais, proporcionando linhas de investigação diferentes, polissemicas, transdiciplinares. As práticas artísticas estão em busca de conhecimentos complementares às ciências sociais e às humanidades através da mediação estética como formas corpóreas, tangíveis, de saberes que encarnam a realidade (Santos, 2021).

Esta proposta tem como base uma oficina da Roda de Saberes, realizada a 27 de outubro de 2022 e que serviu como experiência piloto para a Summer School que aqui propomos. Baseia-se na prática artística como expressão identitária do imaginário daqueles que se encontram em processos de resistência contra-hegemônica. Basicamente, consiste na detecção e exploração de dispositivos de dominação através de lógicas quotidianas. Estes dispositivos são materializados através de acções, imagens, arquivos, etc., e permitem-nos ensaiar espaços alternativos de convivência através de uma estética que tem em conta as experiências históricas das comunidades e das pessoas.

A metodologia atravessa dois campos de aplicação prática que têm em comum a busca do conhecimento plural e recíproco. Por um lado, a investigação de acção participativa (Fals-Borda, 2015), que apoia a cumplicidade das experiências das comunidades como um espaço de conhecimento válido. Por outro lado, a Investigação Baseada nas Artes na perspectiva da acção onde não há separação entre sujeitos, entre teorias e práticas ou entre investigação e práticas artísticas (Borgdorff, 2012). Por conseguinte, a oficina será um espaço para partilhar uma experiência de investigação orientada pela prática social e cultural dos participantes.



Descrição da Summer School

Esta Summer School terá um conjunto de 3 dinâmicas artístico-sociais: A, B e C. Cada uma delas dinamizada por 1 artista diferente em articulação com 1 cientista social. As dinâmicas são:

Dinâmica A. Dinâmica Visual

Dinâmica B. Dinâmica Performativa

Dinâmica C. Dinâmica musical-sonora

Importante: Cada participante só pode participar numa das dinâmicas. Igualmente também devem enviar com a sua inscrição um pequeno documento que descreva os pontos a seguir enumerados. Este documento é importante para o desenvolvimento das dinâmicas.

- Um parágrafo descrevendo uma prática artística que pratiquem presentemente (qual é, como a prática, o que o/a motiva, qual o caráter da experiência e que impacto têm no/na participante) (5 linhas aprox.)

- Escolher um objeto/oferta imaterial para levar para a summer school. Este objeto/oferta imaterial (fotografia, material sonoro, imagem, movimento/partitura de movimentos, poema ou relato curto) servirá de apoio artístico na dinâmica. Portanto, o participante escolherá o seu objeto em coerência com a dinâmica em que irá participar. Por exemplo: um som se estiver na dinâmica da música, uma fotografia, um poema, etc.

- Um parágrafo descrevendo a possível relação entre o objecto e uma problemática social na sua comunidade, região ou país (3 a 5 linhas)

A Summer School terá uma primeira parte em que cada participante trabalhará em conjunto com um coordenador artístico e um cientista social dentro das dinâmicas (A, B e C). A partir da experiência artística dos participantes e através do objeto/oferta imaterial que cada participante trouxe, cada dinâmica terá como resultado uma pequena contribuição artística, que deverá ser apresentada no final da Summer School.

Na segunda parte, no grande grupo, será trabalhada uma criação coletiva baseada no trabalho realizado em cada subgrupo e de acordo com a dinâmica realizada. Este trabalho de criação coletiva será apresentado numa encenação como produto final da Oficina.


Coordenador/a
Cláudia Pato de Carvalho e Manuel Muñoz Bellerin


Formadores/as
Andrea Inocêncio, freelancer - artista visual e performer
Cláudia Pato de Carvalho, CES
Manuel Muñoz Bellerin, CES
Sebastian Gougain, CES


Público Alvo
Artistas, estudantes de ciências sociais e humanidades, investigadores, técnicos de intervenção social e artística


Deadlines

Submissão de candidaturas (30 vagas) através de envio de email para claudiacarvalho@ces.uc.pt até 3 de abril de 2023  
Comunicação de resultados das candidaturas após 15 de abril de 2023


Valores da inscrições
Inscrição geral: 100 Euros
Inscrição estudante: 50 Euros
Inscrição comunidade CES: 70 Euros

(+) A inscrição apenas será reembolsável em 50% do seu valor mediante apresentação de justificação com atestado médico, até 15 dias antes do início da Escola de Verão.


Língua
Português e Espanhol


Parcerias
Universidade Pablo de Olavide, Sevilha (a confirmar)

Programa

Dia 1 – 19 de junho
Apresentação dos participantes e dos principais intervenientes
Partilha dos objetos e/ou ofertas materiais e imateriais
Apresentação da metodologia e das abordagens teóricas da Summer School e sua discussão com os participantes

Dia 2 – 20 de junho
Grupo de discussão sobre os temas sociais de interesse dos participantes para a criação de hipóteses de trabalho
Organização das dinâmicas A, B, C e seu desenvolvimento

Dia 3 – 21 de junho
Desenvolvimento das três dinâmicas
Reflexão conjunta por parte participantes sobre as três dinâmicas realizadas

Dia 4 – 22 de junho
Desenvolvimento da criação coletiva com todos os participantes

Dia 5 – 23 de junho
Apresentação da criação coletiva
Avaliação conjunta da oficina

Bibliografia

Ariza, Patricia. (2015). Habitar las calles. Habitar los cuerpos. Bogotá: Corporación colombiana de teatro.
Benjamin, Walter. (2008). Tesis sobre la historia y otros fragmentos. Universidad Autónoma de México.
Borgdorff , Henk. (2012). The conflict of the faculties. Perspectives on artistic research and academia. Amsterdam: Leiden University Press,
Fals Borda, Orlando. (2015). Una sociologia sentipensante para América Latina. México: Siglo Veintiuno.
Groys, Borys. (2015). Volverse público. La transformación del arte en el ágora contemporánea. Caja Negra.
Taylor, Diane. (2018). Performance. Asunto Impreso Ediciones
Santos, Boaventura de Sousa (2019). El fin del imperio cognitivo: la afirmación de las epistemologías del Sur. Madrid: Editorial Trotta.
Santos, Boaventura de Sousa (2021). Descolonizar la Universidad: el desafío de la justicia cognitiva global / Buenos Aires: CLACSO.
Young, Iris. Marion. (2000). La justicia y la política de la diferencia. Valencia: Cátedra.

Apresentação Programa Bibliografia