Charbel Niño El-Hani


Nota biográfica

Sou Professor Titular do Instituto de Biologia, Universidade Federal da Bahia (Brasil), onde coordeno o Laboratório de Ensino, Filosofia e História da Biologia (LEFHBio). Sou Bacharel em Ciências Biológicas pela UFBA (1992), Mestre em Educação pela UFBA (1996) e Doutor em Educação pela USP (2000). Coordeno o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Estudos Interdisciplinares e Transdisciplinares em Ecologia e Evolução (IN-TREE). Coordeno o evento de popularização da ciência Café Científico Salvador (http://cafecientificossa.blogspot.com) e escrevo no Blog Darwinianas (https://darwinianas.com/), vinculado ao INCT IN-TREE. Meus principais interesses de pesquisa são: Pesquisa em Educação Científica, Filosofia da Biologia, Biologia Teórica (em especial, vinculada a Biologia Evolutiva, Ecologia, Conservação e Comportamento Animal) e História da Biologia. A pesquisa que estou realizando no CES está relacionada a um de meus principais projetos de pesquisa, que enfoca a busca de avanços no enfrentamento de desafios epistemológicos, ontológicos, éticos e políticos com os quais se confrontam propostas de integração de conhecimentos acadêmicos e de outros sistemas de conhecimento, que têm sido cada vez mais comuns em campos como a conservação e a educação. Para lidar com esses desafios, desenvolvemos a proposta de uma "metodologia de sobreposições parciais" (Ludwig & El-Hani, 2020, Philosophy of Ethnobiology: Understanding Knowledge Integration and Its Limitations. Journal of Ethnobiology), que contrasta com abordagens muito otimistas (relacionadas a um universalismo filosófico) e muito pessimistas da integração de conhecimentos, estas últimas exclusiva ou principalmente focadas na incomensurabilidade entre culturas distintas e comprometida com um relativismo filosófico particularmente radical. A metodologia de sobreposições parciais explora áreas de convergência entre sistemas de conhecimento, e portanto contrasta com proposições generalizadas de diferenças radicais da ciência acadêmica em relação a todos os demais sistemas de conhecimento, ao mesmo tempo em que também explora áreas de divergência de uma maneira situada em termos sociopolíticos, que busca dar apoio às lutas das comunidades com as quais trabalhamos por sua auto-determinação. O objetivo de buscar sobreposições parciais entre sistemas de conhecimento não é buscar qualquer forma de validação, mas de explorar espaços de diálogo e aprendizagem intercultural. Para fazer frente a esse objetivo, um pesquisador usando tal metodologia deve evitar atitudes neo-coloniais, paternalistas ou essencialistas diante de outras formas de conhecimentos, mas pautar-se por uma atitude intercultural. Para atribuir um significado claro a uma atitude intercultural, temos desenvolvido uma filosofia política da integração de conhecimentos, sendo meu principal objetivo no CES aprofundar, sob a supervisão de Prof. Boaventura de Sousa Santos, a dimensão política da metodologia de sobreposições parciais à luz dos muitos desenvolvimentos que têm ocorrido nos estudos sobre sociologia das ausências, epistemologias do sul, ecologia de saberes aqui no Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra. Em particular, interessa-me desenvolver a tese de que uma atitude intercultural deve ser um requisito normativo para qualquer iniciativa que utilize a metodologia de sobreposições parciais, sob pena de essa metodologia colapsar num mero exercício de apropriar-se do conhecimento do outro ou de buscar validações desse conhecimento à luz de uma perspectiva acadêmica, o que não seria mais do que reforçar as próprias hierarquias entre sistemas de conhecimento que a metodologia busca desafiar.